

Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA e impõem derrota a Trump. | Foto: Umit Bektas/Reuters
04 de novembro de 2026 – O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas nesta terça-feira (3). O resultado representa uma importante derrota política para o presidente republicano Donald Trump, que perde o controle do Legislativo e terá de enfrentar uma oposição fortalecida nos próximos dois anos.
Os democratas avançaram sobre cadeiras historicamente ocupadas pelos republicanos, conquistando vitórias em estados considerados conservadores e mantendo posições estratégicas. No Senado, a legenda chegou a 54 das 100 cadeiras, enquanto na Câmara dos Representantes alcançou 228 dos 435 assentos, conforme a apuração divulgada até a última atualização dos resultados.
No Senado, eram necessárias 51 cadeiras para garantir a maioria. Já na Câmara, o partido precisava conquistar pelo menos 218 assentos.
O resultado altera o equilíbrio de forças em Washington e dificulta a agenda política de Trump, que agora terá de negociar com os adversários democratas para aprovar projetos e avançar em suas prioridades de governo.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A vitória democrata no Senado foi impulsionada por conquistas em estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos. A legenda elegeu 20 senadores, incluindo sete vitórias em disputas nas quais conseguiu tirar cadeiras do partido adversário.
Até a última atualização da apuração, a composição do Senado estava distribuída da seguinte forma:
Na Câmara dos Representantes, os democratas conseguiram conquistar 25 cadeiras anteriormente controladas pelos republicanos, em disputas realizadas em distritos de mais de dez estados.
A parcial indicava:
A renovação do Congresso americano ocorre de maneira diferente da brasileira. Todos os 435 integrantes da Câmara dos Representantes são eleitos a cada dois anos, enquanto o Senado tem renovação parcial, com aproximadamente um terço das cadeiras em disputa a cada eleição.
Após a confirmação da maioria democrata nas duas Casas, Donald Trump afirmou estar disposto a trabalhar com integrantes do partido adversário.
Em entrevista ao jornal americano The New York Times, o presidente declarou que aceitará o resultado das urnas e buscará entendimento com os novos parlamentares da oposição.
“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, afirmou Trump.
O republicano também demonstrou disposição para negociar com os democratas durante o restante do mandato.
“Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, declarou.
A postura representa uma mudança em relação às declarações feitas antes da votação, quando Trump havia levantado dúvidas sobre o reconhecimento de uma eventual derrota. Na ocasião, o presidente afirmou que só aceitaria os resultados caso as eleições fossem “limpas”.
Apesar de afirmar que pretende negociar com a oposição, Trump também indicou que poderá utilizar o poder de veto para barrar propostas aprovadas pelo Congresso.
Após os primeiros resultados negativos para os republicanos, o presidente publicou nas redes sociais uma imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”, sinalizando como pretende reagir ao fortalecimento democrata.
Dias antes da votação, em entrevista ao podcast Pod Force One, do jornal New York Post, Trump já havia antecipado essa possibilidade.
“Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, disse o presidente.
Na sequência, explicou como pretende conduzir as negociações com o Legislativo.
“Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, declarou.
Com a maioria nas duas Casas, os democratas passam a ter maior capacidade de fiscalização do governo, além de poder influenciar a tramitação de projetos e a definição das prioridades legislativas.
Uma das principais marcas das eleições foi o avanço democrata em estados tradicionalmente alinhados ao Partido Republicano.
No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton, candidato apoiado por Trump. Na Carolina do Sul, Annie Andrews também conquistou uma vitória considerada inesperada sobre Darline Graham.
Os resultados representaram derrotas importantes para o presidente, que mobilizou seu capital político em favor de candidatos republicanos durante a campanha.
No Texas, Trump havia apoiado Paxton, procurador-geral estadual envolvido em controvérsias, nas disputas internas do partido. A candidatura enfrentava resistência de lideranças republicanas, que alertavam para as dificuldades eleitorais do candidato em uma disputa nacional.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, ampliando as perdas da legenda em um estado de tendência conservadora. Trump havia visitado o estado diversas vezes para apoiar Husted.
Na Carolina do Sul, a candidatura de Darline Graham também enfrentava questionamentos dentro do próprio Partido Republicano sobre sua experiência política e capacidade de conquistar a cadeira em disputa.
Os democratas também conseguiram vitórias importantes na Carolina do Norte e mantiveram posições estratégicas em New Hampshire e na Geórgia.
Além das conquistas em estados republicanos, o Partido Democrata conseguiu preservar cadeiras consideradas fundamentais para garantir a maioria no Senado.
Na Geórgia, o senador Jon Ossoff foi reeleito após derrotar o deputado Mike Collins. A vitória impediu que os republicanos conquistassem uma das cadeiras consideradas prioritárias para ampliar sua representação.
Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e conquistou a vaga deixada pela democrata Jeanne Shaheen, que decidiu não disputar a reeleição.
Outros senadores democratas também garantiram novos mandatos com resultados expressivos. Entre eles estão Cory Booker, em Nova Jersey; Ed Markey, em Massachusetts; e John Hickenlooper, no Colorado.
Em Illinois, Juliana Stratton foi eleita para substituir o senador democrata Dick Durbin.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem a cada dois anos nos Estados Unidos, sempre na metade do período presidencial de quatro anos.
Diferentemente do sistema brasileiro, em que as eleições para o Congresso ocorrem a cada quatro anos, os norte-americanos renovam parcialmente o Legislativo a cada dois anos.
Os integrantes da Câmara dos Representantes têm mandatos de dois anos. Por isso, todas as 435 cadeiras são disputadas em cada eleição legislativa.
No Senado, os mandatos são de seis anos e a renovação acontece de forma escalonada. A cada dois anos, aproximadamente um terço das 100 cadeiras fica disponível para votação.
Em 2026, além de todas as vagas da Câmara, 35 cadeiras do Senado estavam em disputa.
O resultado das midterms tem impacto direto sobre a governabilidade do presidente, pois define a composição do Congresso que será responsável por analisar projetos, aprovar orçamentos e fiscalizar as ações do Executivo até as próximas eleições legislativas.
Leia também | Senado aprova PEC da Segurança Pública sem reduzir maioridade penal
Tags: eleições nos Estados Unidos, eleições americanas 2026, eleições de meio de mandato, midterms 2026, Partido Democrata, democratas nos EUA, Partido Republicano, Donald Trump, derrota de Donald Trump, Congresso dos Estados Unidos, Câmara dos Representantes, Senado americano, maioria democrata, oposição a Trump, política internacional, política americana, Estados Unidos, Washington, James Talarico, Ken Paxton, Annie Andrews, Darline Graham, Sherrod Brown, Jon Husted, Jon Ossoff, Chris Pappas, Cory Booker, Ed Markey, John Hickenlooper, Juliana Stratton, eleições legislativas, governo Trump, relações políticas internacionais, Portal Terra da Luz