

Pesquisa científica no Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, no Piauí, reúne dados genéticos e biométricos para contribuir com a conservação do tatu-bola na Caatinga. | Foto: divulgação
30 de setembro de 2026 – Uma expedição científica realizada no Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, em Buriti dos Montes, no Piauí, reuniu pesquisadores em uma ação voltada à conservação do tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), espécie ameaçada pela perda de habitat na Caatinga.
Entre os dias 1º e 6 de setembro, a equipe percorreu a unidade de conservação para localizar, catalogar e analisar exemplares da espécie. Ao longo de cinco dias de trabalho de campo, cinco tatus-bola foram encontrados.
Os animais passaram por procedimentos de avaliação seguindo protocolos de biossegurança e bem-estar. Foram coletadas amostras de sangue, fezes, tecidos e parasitas, além de dados biométricos, como peso e medidas. Após os procedimentos, todos os animais foram devolvidos aos mesmos locais onde haviam sido encontrados.
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A iniciativa integra o projeto No Clima da Caatinga, desenvolvido pela Associação Caatinga em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

A equipe contou com veterinárias do Instituto Tamanduá, fotógrafo e especialista em geoprocessamento. A ação também teve apoio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O material coletado será utilizado na formação de um banco de dados unificado, que poderá orientar estratégias de manejo e conservação da espécie na Caatinga.
As análises genéticas deverão contribuir para identificar o grau de parentesco entre diferentes populações, verificar níveis de endogamia e avaliar a diversidade genética do tatu-bola na região.
“A gente coletou sangue, fezes, ectoparasitas e tecido para fazer diversas análises. Essas amostras vão permitir estudos de genética populacional, que fazem parte dos esforços de conservação da espécie”, explica a veterinária Maíra Prestes, do Instituto Tamanduá.

Além dos estudos genéticos, o material armazenado poderá ser utilizado em pesquisas sobre agentes causadores de doenças.
“Ter essas amostras guardadas serve tanto para já pesquisar alguns patógenos quanto para o futuro. Se um dia houver algum declínio populacional na região e não soubermos a causa, teremos amostra para investigar a presença ou ausência desses patógenos. Essa é a importância de ter esse banco”, complementa Maíra Prestes.
Para o coordenador de conservação da Associação Caatinga, Samuel Portela, os dados genéticos podem ajudar a direcionar ações e recursos para as áreas que apresentam maior vulnerabilidade.
“O valor desse trabalho está em transformar dados genéticos em decisões concretas de manejo. Não basta apenas registrar a presença da espécie; precisamos saber quais populações estão mais vulneráveis para agir no lugar certo”, afirma.
A atividade realizada em setembro representa a terceira etapa de um trabalho desenvolvido há cerca de uma década.
Em 2016, a primeira expedição ao cânion confirmou a presença histórica do tatu-bola na região. Os dados obtidos naquele período contribuíram para fundamentar a criação do Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, unidade de conservação com aproximadamente 24 mil hectares e que abriga áreas de fauna, flora e sítios de arte rupestre.
A unidade de conservação no Piauí fica próxima a áreas protegidas localizadas no Ceará, entre elas a Área de Proteção Ambiental (APA) Boqueirão do Rio Poti e a Reserva Natural Serra das Almas. Juntas, essas áreas contribuem para a formação de um corredor ecológico para a fauna nativa.
O trabalho também integra o PAN TATA, Plano de Ação Nacional coordenado pelo ICMBio para a conservação de espécies ameaçadas de tamanduás e tatus.
A Associação Caatinga participa do comitê técnico do plano e acompanha as metas de conservação desde o primeiro ciclo.
“Estar no PAN TATA desde o primeiro ciclo reafirma nosso compromisso com a biodiversidade do semiárido. Unir a ciência de campo às políticas públicas de conservação nos permite transformar dados científicos em ações reais, garantindo a proteção constante do tatu-bola e de todo o bioma Caatinga para as presentes e futuras gerações”, afirma o coordenador de conservação da biodiversidade da Associação Caatinga.
O projeto No Clima da Caatinga atua no semiárido brasileiro desde 2011. A iniciativa desenvolve ações voltadas à mitigação dos efeitos do aquecimento global, adaptação climática de comunidades rurais e conservação da Caatinga, dos recursos hídricos e da fauna.
Entre as espécies acompanhadas pelo projeto está o tatu-bola, um dos animais característicos do bioma e considerado um símbolo da biodiversidade brasileira.
A Associação Caatinga, responsável pela iniciativa em parceria com a Petrobras, é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua desde 1998 na conservação do bioma, na valorização de seus recursos naturais e no desenvolvimento sustentável de comunidades rurais.
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