

O novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, afirmou que cerca de 32 mil aposentados receberão seus benefícios por meio de outros bancos no dia 17 deste mês | Reprodução
07 de novembro de 2026 – O novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, anunciou neste sábado (7) que mais de um milhão de clientes do Ueno Bank já receberam restituições de recursos após a liquidação da instituição financeira. A crise bancária atingiu aproximadamente três milhões de correntistas e provocou uma turbulência política que culminou na destituição do então presidente Santiago Peña.
Em pronunciamento à imprensa, Alliana afirmou que o governo está adotando medidas emergenciais para garantir a devolução dos depósitos e reduzir os impactos da crise sobre a população.
O Ueno Bank era considerado o maior banco digital do Paraguai e mantinha contas de aproximadamente metade da população do país. A interrupção de suas operações comprometeu o acesso de clientes a recursos financeiros e benefícios previdenciários.
O novo presidente também anunciou que cerca de 32 mil aposentados que recebiam pagamentos por meio da instituição serão atendidos por outros bancos a partir de 17 de novembro.
Os ressarcimentos estão sendo realizados de forma gradual, conforme os procedimentos estabelecidos pelas autoridades financeiras paraguaias.
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Em sua primeira manifestação após assumir a Presidência, Pedro Alliana prometeu priorizar o atendimento às pessoas prejudicadas pelo colapso financeiro.
O novo chefe de Estado afirmou que o governo precisa responder rapidamente às dificuldades enfrentadas pelos cidadãos.
“O Paraguai que recebemos hoje apresenta urgências que nos obrigam a estar nas ruas, nos hospitais e no campo. O que venho prometer é concreto”, declarou.
Alliana também determinou que os órgãos responsáveis acelerem os procedimentos para a restituição dos recursos, especialmente para os clientes em situação de maior vulnerabilidade.
“Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil, em decorrência do colapso financeiro, serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos. Determino que sejam tomadas ações imediatas para ressarcir os poupadores, dando prioridade aos menos favorecidos; não quero ninguém hesitante à frente desta missão, quero resultados”, afirmou.
O mandato de Alliana está previsto para terminar em 2028, quando se encerraria o período presidencial iniciado por Santiago Peña.
Neste sábado, o presidente convocou uma reunião com integrantes da equipe econômica e representantes de instituições responsáveis pela supervisão financeira e previdenciária.
Participam das discussões o ministro da Economia, Oscar Lovera; o presidente interino do Banco Central do Paraguai, Pedro Acosta; e o presidente do Instituto de Previdência Social, Derlis León.
O encontro busca coordenar as ações de restituição dos depósitos, garantir a continuidade dos pagamentos previdenciários e reduzir as consequências econômicas da liquidação do Ueno Bank.
Segundo o anúncio presidencial, aproximadamente 32 mil aposentados terão seus benefícios pagos por outras instituições financeiras no dia 17 de novembro.
A medida pretende evitar que a interrupção das operações do banco comprometa o recebimento de aposentadorias e outros recursos destinados à população.
Dados divulgados neste sábado pelo Banco Central paraguaio indicam que os procedimentos de restituição já alcançaram aproximadamente 1,2 milhão de clientes.
Segundo informações repercutidas pela imprensa, cerca de 996 bilhões de guaranis, equivalentes a aproximadamente R$ 885,8 milhões, foram destinados às restituições.
A operação utiliza recursos do Fundo de Garantia de Depósitos, mecanismo destinado à proteção dos correntistas em situações de insolvência bancária.
O processo começou com clientes que possuíam valores menores em suas contas e avançou para novas faixas de depósitos, respeitadas as condições estabelecidas pelo Banco Central.
A instituição informou que a garantia de depósitos cobre valores até os limites previstos na legislação paraguaia.
Apesar do avanço, os pagamentos continuam sendo realizados por etapas, e a restituição anunciada não significa necessariamente que todos os clientes já tenham recuperado integralmente seus saldos.
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de intervenção e liquidação do Ueno Bank.
A decisão ocorreu após a identificação de problemas nos indicadores de solvência da instituição, relacionados, segundo as informações divulgadas, à concessão de empréstimos a empresas vinculadas ao grupo controlador.
O banco pertencia ao Grupo Vázquez e havia ampliado significativamente sua participação no mercado financeiro paraguaio.
Com aproximadamente três milhões de correntistas, a instituição concentrava uma parcela expressiva das operações bancárias digitais do país.
O Ueno também administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, equivalentes a aproximadamente R$ 4,6 bilhões, incluindo recursos vinculados ao sistema previdenciário.
A paralisação das atividades provocou dificuldades de acesso ao dinheiro depositado e ampliou a preocupação de clientes, aposentados e autoridades econômicas.
A crise financeira teve consequências imediatas na política paraguaia.
Em menos de 48 horas, o então presidente Santiago Peña enfrentou um processo de impeachment, foi afastado do cargo e passou a ser alvo de medidas judiciais relacionadas às investigações.
Peña havia assumido a Presidência em agosto de 2023 e foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025.
A antiga participação societária do presidente no grupo financeiro tornou-se um dos principais pontos de questionamento durante a crise.
O Senado aprovou a destituição de Peña na sexta-feira (6), abrindo caminho para a posse do então vice-presidente Pedro Alliana.
Após o afastamento, autoridades paraguaias determinaram medidas restritivas contra o ex-presidente, que passou a responder às investigações.
Durante o processo político, parlamentares da oposição apresentaram acusações de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e suposto encobrimento institucional relacionado à fiscalização bancária.
As suspeitas envolvem a relação anterior de Santiago Peña com o grupo controlador da instituição e o volume de recursos públicos mantidos no banco.
A deputada da oposição Rocío Vallejo fez duras críticas ao então presidente durante uma sessão parlamentar.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, declarou a parlamentar.
As acusações são objeto de investigação e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal do ex-presidente.
Antes de deixar o cargo, Santiago Peña afirmou que os responsáveis por eventuais irregularidades envolvendo o banco deveriam responder perante a Justiça.
Em publicação na rede social X, o então presidente defendeu a prioridade dos interesses dos correntistas durante a crise.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
Peña também promulgou uma legislação destinada a acelerar a recuperação dos recursos dos clientes afetados.
O ex-presidente nega envolvimento em irregularidades, enquanto as autoridades paraguaias prosseguem com as investigações sobre as operações do Ueno Bank e a atuação dos órgãos responsáveis por sua fiscalização. Reuters
A principal tarefa de Pedro Alliana será garantir o avanço das restituições e reduzir os impactos econômicos provocados pela crise.
Além da devolução dos depósitos, o governo precisará assegurar a continuidade dos serviços financeiros e previdenciários afetados pela paralisação da instituição.
A situação representa um desafio para a estabilidade política e para a confiança da população no sistema bancário paraguaio.
O Banco Central sustenta que os problemas identificados estão relacionados ao Ueno Bank e não representam, necessariamente, uma crise generalizada das demais instituições financeiras.
Enquanto as investigações prosseguem, o novo governo promete dar prioridade aos clientes prejudicados e acelerar os pagamentos ainda pendentes.
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