

Com a chegada da Reforma Tributária, empresas precisam rever custos, incentivos fiscais e estratégias de planejamento para manter a competitividade. | Foto: divulgação
06 de novembro de 2026 – O crescimento das exportações do Ceará e a expansão das operações no Complexo Industrial e Portuário do Pecém estão ampliando as oportunidades para empresas cearenses, mas também trazem novos desafios relacionados aos custos operacionais, ao planejamento financeiro e à tributação. Com as mudanças previstas pela Reforma Tributária, indústrias, importadoras e exportadoras precisam revisar estratégias para preservar a competitividade e aproveitar as oportunidades do comércio exterior.
De acordo com o levantamento Ceará em Comex, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a corrente de comércio estadual alcançou US$ 3,47 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. O resultado representa crescimento de 4,3% em comparação com o mesmo período de 2025.
As exportações avançaram 8,2%, totalizando US$ 1,63 bilhão nos primeiros oito meses deste ano.
O desempenho acompanha a expansão da infraestrutura logística do Estado. Em 2025, o Porto do Pecém movimentou aproximadamente 20,96 milhões de toneladas, crescimento de 7% em relação ao ano anterior. Já a movimentação de contêineres aumentou 27%, alcançando um novo recorde.
Apesar dos indicadores positivos, o aumento das operações comerciais não representa necessariamente maior rentabilidade para as empresas. Variações cambiais, despesas logísticas, prazos de recebimento e custos financeiros podem comprometer os resultados, especialmente em negócios que dependem de operações internacionais.
Para Fernando Cavalcanti, fundador da Valestrá, o cenário exige uma análise mais abrangente da gestão empresarial.
“Como empresário, sei que aumentar as vendas ou conquistar novos mercados não significa, necessariamente, aumentar os resultados. Uma operação pode crescer e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades de caixa, custos elevados ou estruturas tributárias que comprometem sua competitividade. É preciso entender o negócio por inteiro, e essa realidade muda de uma região para outra”, avalia.
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A transição para o novo sistema tributário brasileiro acrescenta novas variáveis às decisões de investimento e organização das empresas cearenses.
O Ceará possui um histórico de incentivos fiscais utilizados como instrumentos de desenvolvimento industrial e atração de investimentos. Com a substituição gradual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a partir de 2029, empresas beneficiárias de regimes específicos precisarão avaliar as regras de transição e os possíveis impactos sobre suas operações.
A mudança exige atenção principalmente de indústrias e companhias que atuam no comércio exterior. Entre os pontos que precisam ser acompanhados estão o aproveitamento de créditos tributários, os tratamentos aplicáveis às exportações e a revisão das relações comerciais com fornecedores.
Nesse contexto, as decisões tributárias passam a exigir uma análise integrada dos impactos financeiros e operacionais, considerando as particularidades de cada atividade econômica.
Para Ricardo Meneses, diretor da unidade Valestrá em Fortaleza, as características das cadeias produtivas regionais precisam ser consideradas no planejamento das empresas.
“O Ceará reúne atividades industriais, logísticas e comerciais com características muito diferentes. Empresas que dependem de importações, exportações ou de cadeias de fornecimento mais complexas precisam considerar todos esses fatores em suas decisões. O desafio é conciliar crescimento, eficiência operacional e segurança no planejamento”, destaca.
O avanço do comércio exterior acompanha a diversificação da economia cearense e o fortalecimento de diferentes setores produtivos. Além da indústria, atividades comerciais, serviços especializados e operações logísticas também integram esse cenário.
Para as empresas que atuam em diferentes mercados, compreender as características econômicas locais e relacioná-las às estratégias nacionais e internacionais tornou-se um diferencial importante.
Com unidade em Fortaleza, a Valestrá acompanha as transformações do mercado regional por meio de uma estrutura nacional que reúne especialidades nas áreas tributária, regulatória, financeira e patrimonial.
Segundo André Menezes, líder executivo da operação cearense, a proximidade com o mercado contribui para identificar como as mudanças econômicas e tributárias afetam empresas com diferentes estruturas e necessidades.
“Cada atividade possui uma realidade própria. As decisões de uma indústria exportadora, por exemplo, envolvem fatores diferentes daqueles enfrentados por uma empresa voltada exclusivamente ao mercado interno. Entender essas particularidades é fundamental para avaliar riscos e construir estratégias consistentes”, afirma.
O cenário aponta que o crescimento das exportações e a ampliação da infraestrutura logística precisam ser acompanhados de planejamento financeiro e tributário. Com a implementação gradual da Reforma Tributária, a capacidade de antecipar mudanças e avaliar custos será cada vez mais importante para a competitividade dos negócios no Ceará.
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