

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Flávio Bolsonaro poderá permanecer no país pelo tempo que desejar, mas disse não ter planos de se encontrar com o senador brasileiro. A declaração ocorreu no sábado (31), em Mar-a-Lago, na Flórida | Foto: Jonathan Ernst/Reuters
01 de novembro de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderá permanecer em território americano “quanto tempo quiser”. A declaração foi feita durante uma conversa com jornalistas no clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.
Apesar de demonstrar disposição para permitir a permanência do parlamentar brasileiro no país, Trump afirmou que não tem planos de se encontrar com Flávio Bolsonaro.
O senador chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), após deixar o Brasil na sequência da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais e de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega de seus passaportes.
A viagem provocou questionamentos sobre as circunstâncias da saída do parlamentar do território brasileiro e a eventual participação de autoridades estrangeiras no deslocamento.
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Também neste sábado (31), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo norte-americano não participou diretamente dos preparativos para a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
A declaração foi feita em meio aos questionamentos sobre a possível colaboração de integrantes da administração Trump na viagem do senador.
“Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o país. Pelo menos, o governo dos Estados Unidos não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas”, declarou Rubio.
A manifestação ocorre após reportagens sobre a logística utilizada pelo parlamentar para atravessar a fronteira brasileira com a Argentina e seguir para os Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro desembarcou em um aeroporto próximo de Miami na quarta-feira (28), depois de viajar para os Estados Unidos com sua família.
O deslocamento aconteceu após a derrota do senador na eleição presidencial de 25 de outubro e a decisão do STF que determinou a apreensão de seus passaportes e restringiu sua saída do país.
O episódio ganhou repercussão internacional e levantou questionamentos sobre o cumprimento da determinação judicial brasileira.
Desde a chegada do parlamentar aos Estados Unidos, Trump tem sido questionado sobre a possibilidade de recebê-lo e sobre a postura de seu governo diante da situação.
Em declarações anteriores, Donald Trump levantou suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro, mas não apresentou provas de irregularidades.
O presidente americano também elogiou Flávio Bolsonaro, embora tenha evitado assumir envolvimento direto nas manifestações políticas do senador brasileiro.
Ao ser questionado sobre uma carta divulgada pelo parlamentar após o resultado das eleições, Trump afirmou que não desejava comentar o assunto naquele momento.
“Não quero comentar isso agora, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro”, declarou.
O republicano também afirmou ter acompanhado a disputa presidencial no Brasil, mas negou ter apoiado qualquer candidato.
“Acompanhei a eleição. Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente (Lula) — o atual presidente — me pediu para não tomar partido. E eu não tomei. Mas, ao observar o que aconteceu no Brasil… bem, basta olhar para o mercado. O mercado despencou. Enfim, achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”, disse Trump.
As declarações do presidente americano contrastam com o resultado oficial das eleições brasileiras, confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Justiça Eleitoral declarou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, reconheceu o resultado das urnas, embora tenha solicitado esclarecimentos à Justiça.
Até o momento, não foram apresentadas provas que sustentem as suspeitas de fraude mencionadas por Trump.
As declarações do presidente americano ocorrem às vésperas das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms.
Na próxima terça-feira, 3 de novembro, os eleitores americanos irão às urnas para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado.
O resultado será importante para definir a capacidade de articulação política de Donald Trump durante os dois anos restantes de seu mandato.
Projeções eleitorais indicam que o Partido Democrata, principal força de oposição ao governo republicano, tem possibilidades de conquistar a maioria nas duas Casas do Congresso.
Uma eventual vitória democrata poderá dificultar a aprovação de propostas do governo e ampliar a fiscalização sobre as decisões da Casa Branca.
Diante do cenário eleitoral, Trump também levantou dúvidas sobre a possibilidade de reconhecer os resultados das eleições legislativas.
Questionado sobre o assunto, o presidente afirmou: “Respeitarei, se forem eleições honestas”.
A declaração ocorre em um momento de disputa política intensa nos Estados Unidos, com republicanos e democratas buscando ampliar sua representação no Congresso.
Enquanto a campanha eleitoral americana entra na reta final, a permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos segue repercutindo no debate político, especialmente após os questionamentos sobre sua viagem e as manifestações do governo Trump.
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