

A Reserva Natural Serra das Almas completa 26 anos como uma das principais áreas privadas de conservação da Caatinga. | Foto: divulgação
22 de setembro de 2026 – A Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), localizada entre Crateús, no Ceará, e Buriti dos Montes, no Piauí, completa 26 anos neste mês como uma das principais áreas privadas de conservação da Caatinga. Com 6.285,38 hectares, a unidade é a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Ceará e é administrada pela Associação Caatinga.
A organização da sociedade civil atua desde 1998 na conservação do bioma e no desenvolvimento de iniciativas sustentáveis no semiárido. A história da Reserva está ligada à própria criação da Associação Caatinga, a partir de uma iniciativa voltada à proteção da carnaúba, árvore símbolo do Ceará e do Piauí.
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A criação da Serra das Almas teve origem no Fundo para a Conservação da Caatinga, estabelecido por Samuel Johnson (in memoriam) para contribuir com a proteção da carnaúba e de seu habitat. A iniciativa posteriormente levou à criação da Associação Caatinga e à implantação da área protegida.
A Reserva reúne diferentes formações vegetais, como Caatinga Arbórea, Mata Seca e Carrasco. Com altitudes que variam entre 290 e 750 metros, a área abriga quatro nascentes e desempenha funções relacionadas à conservação dos recursos naturais.
Segundo dados da Associação Caatinga, a RNSA possui estoque estimado de 1,64 milhão de toneladas de CO₂ e contribui para evitar o escoamento de aproximadamente 4,7 bilhões de litros de água por ano. A unidade também protege espécies da fauna e da flora, incluindo animais ameaçados de extinção.
Em 2005, a Reserva Natural Serra das Almas foi reconhecida pela Unesco como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Caatinga. O reconhecimento considera a representatividade da área preservada e o trabalho desenvolvido em interação com comunidades rurais do entorno.
As ações realizadas na região combinam conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Entre as iniciativas estão projetos de educação ambiental, pesquisa, restauração de áreas, tecnologias sociais e apoio ao desenvolvimento sustentável de comunidades do semiárido.
A Serra das Almas também é utilizada para atividades de pesquisa, educação ambiental e visitação. Na parte alta, localizada no Planalto da Ibiapaba, funciona o Centro de Interpretação Ambiental Professora Maria Angélica Figueiredo, com hospedagem, refeitório e trilhas ecológicas.
Na parte baixa, no Sertão de Crateús, está o Centro Ecológico Samuel Johnson, que conta com alojamento, laboratório, auditório, torre de observação, viveiros de mudas nativas, meliponário e trilhas.
O espaço também funciona como Centro de Difusão Ambiental, recebendo atividades relacionadas à conservação da natureza e ao uso sustentável dos recursos naturais.
Entre as estruturas destinadas aos visitantes está um circuito acessível de aproximadamente 500 metros. O percurso foi construído com material reforçado e largura adequada para cadeiras de rodas e equipamentos utilizados por pessoas com baixa mobilidade, como muletas, bengalas e andadores.
A estrutura amplia as possibilidades de acesso à natureza e integra as iniciativas de inclusão e acessibilidade desenvolvidas na Reserva.
A Associação Caatinga também disponibiliza um tour virtual para pessoas que não podem visitar a Serra das Almas presencialmente. A ferramenta permite explorar mais de 60 pontos de observação em imagens de 360 graus, com informações sobre paisagens, fauna e flora protegidas.
O tour virtual está disponível no site da Associação Caatinga: https://www.acaatinga.org.br/serra-das-almas/
A visita presencial à Reserva Natural Serra das Almas deve ser agendada previamente. A solicitação precisa ser realizada com pelo menos quatro dias de antecedência pelo WhatsApp da unidade, no número (88) 99955-6570.

Para o diretor executivo da Associação Caatinga, Daniel Fernandes, os 26 anos da Reserva representam a continuidade de um trabalho voltado à conservação do bioma e à sustentabilidade no semiárido.
“A Serra das Almas representa uma história de compromisso da Associação Caatinga com a conservação e mostra, na prática, a importância de manter a floresta em pé. Conservar a Caatinga significa proteger nascentes, garantir habitat para espécies da fauna e da flora, preservar os serviços ambientais e contribuir para o equilíbrio climático. Depois de 26 anos, a Reserva reforça que a conservação da natureza é um investimento no presente e, principalmente, no futuro do semiárido”, afirma.
O diretor também destaca a participação de parceiros nas ações desenvolvidas pela organização.
“E essa trajetória só é possível porque contamos com parceiros que acreditam na conservação da Caatinga e ajudam a transformar boas ideias em projetos e ações concretas. Nosso agradecimento a todas as instituições, empresas, organizações e pessoas que caminham ao nosso lado e contribuem para ampliar o impacto do nosso trabalho. Cada parceria é fundamental para que possamos continuar protegendo a biodiversidade e fortalecendo iniciativas sustentáveis no semiárido”, finaliza.
A Associação Caatinga é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que tem como missão conservar a Caatinga, difundir suas riquezas e incentivar a proteção da natureza.
Desde 1998, a entidade desenvolve ações voltadas à conservação do bioma e ao desenvolvimento local sustentável, com iniciativas para ampliar a resiliência de comunidades rurais diante da semiaridez e dos efeitos do aquecimento global.
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