

A Assembleia Legislativa do Ceará contará com 14 deputadas estaduais a partir de fevereiro de 2027, número recorde que corresponde a 30,5% das 46 cadeiras da Casa. O resultado coloca o Parlamento cearense na liderança nacional em proporção de mulheres entre as assembleias estaduais | Foto: Divulgação/Alece
14 de outubro de 2026 – A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) terá, a partir de fevereiro de 2027, a maior proporção de mulheres entre os parlamentos estaduais brasileiros. Das 46 cadeiras da Casa, 14 serão ocupadas por deputadas, o equivalente a 30,5% da composição da próxima legislatura. O resultado das eleições de 4 de outubro representa um avanço histórico na participação feminina na política cearense e estabelece um novo recorde de representatividade no Legislativo estadual.
O crescimento também marca uma renovação expressiva da bancada feminina. Das 14 mulheres eleitas, nove assumirão o mandato pela primeira vez, representando uma renovação de 64,3% do grupo.
Nas eleições de 2022, nove mulheres conquistaram vagas na Alece, número considerado recorde à época. Quatro anos depois, a representação feminina aumentou 55,5% em quantidade de cadeiras, consolidando o Ceará como referência nacional na presença de mulheres nas assembleias legislativas.
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As parlamentares eleitas para a 32ª legislatura estão distribuídas entre cinco partidos políticos. O PSB terá a maior bancada feminina, seguido por PT, PL, PSDB e Solidariedade.
O PSB contará com cinco deputadas: Fabiola Carneiro, Manu Pimenta, Paloma Nunes, Lia Gomes e Marta Gonçalves. As duas últimas foram reeleitas.
O PT terá quatro representantes: Jade Romero, Lais Nunes, Liziany Medeiros e Jô Farias, que conquistou a reeleição.
Pelo PL, foram eleitas Bella Carmelo, Dra. Mayra Pinheiro e Dra. Silvana, sendo esta última reeleita para o quarto mandato consecutivo.
Completam a bancada Emilia Pessoa (PSDB), também reeleita, e Georgia do Marcelão (Solidariedade), que iniciará sua trajetória parlamentar na Assembleia.
Reeleita para o quarto mandato consecutivo, a deputada Dra. Silvana (PL) comemorou o resultado das urnas e ressaltou a importância da ampliação da presença feminina nos espaços de poder.
“É muito bom vermos cada vez mais mulheres aguerridas que disponibilizam seus nomes para enfrentar e participar da vida pública. Eu acredito em um Estado mais justo e igualitário, com a presença de mais mulheres”, declarou.
A parlamentar considera que a presença de mais deputadas poderá contribuir para ampliar as discussões sobre direitos, segurança e políticas públicas destinadas às mulheres.
O presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri (PSB), também destacou a importância da nova composição da Casa.
“Esse crescimento é fundamental, não apenas pela questão da melhor representatividade da sociedade, mas também porque, em períodos de tensão política, a mulher traz mais razoabilidade e uma força de trabalho fundamentada no diálogo, na sensibilidade e em uma visão de mundo que busca soluções ao invés de conflitos”, afirmou.
O crescimento da bancada feminina ocorre em um período de ampliação das estruturas institucionais voltadas à defesa dos direitos das mulheres na Assembleia Legislativa.
Em março de 2025, a Alece criou a Comissão de Defesa e Direitos da Mulher (CDDM), por meio da Resolução nº 770/2025.
O colegiado é composto por cinco parlamentares titulares e cinco suplentes e atua no debate, acompanhamento e fiscalização de políticas públicas relacionadas à população feminina.
“Hoje, a comissão é uma referência para outras assembleias do País”, destacou Romeu Aldigueri.
Para a deputada Lia Gomes (PSB), presidente da comissão e reeleita para mais um mandato, a criação do colegiado representa uma conquista institucional permanente.
“Isso demonstra que a defesa dos nossos direitos deixou de ser uma pauta pontual para se tornar uma agenda permanente do Parlamento”, afirmou.
A parlamentar destacou ainda que a proteção às mulheres depende de ações integradas em diferentes áreas.
“O principal avanço foi entendermos que política pública para mulher não pode ser pensada de maneira isolada. Quando falamos em violência contra a mulher, por exemplo, precisamos falar também de autonomia financeira, educação, saúde, moradia, emprego, renda, segurança e participação política”, ressaltou.
Além da comissão temática, a Assembleia mantém a Procuradoria Especial da Mulher (PEM), responsável por receber e encaminhar denúncias de violência e discriminação, acompanhar políticas estaduais de igualdade de gênero e articular ações institucionais de proteção às mulheres.
Outro avanço importante ocorreu em 2025, quando a deputada Larissa Gaspar (PT) tornou-se a primeira mulher da história da Alece a ocupar a vice-presidência da Mesa Diretora.
Para Dra. Silvana, a presença feminina no Parlamento amplia as possibilidades de discussão sobre temas que afetam diretamente a vida das mulheres.
“Eu acho que, quanto mais mulheres tivermos aqui, mais debates sobre a violência contra a mulher nós vamos ter”, afirmou.
Entre as parlamentares que estrearão na Alece em 2027 está Fabiola Carneiro (PSB), que pretende direcionar seu mandato a pautas relacionadas à inclusão, educação, proteção das famílias e combate à violência.
“Chegar à Alece em uma legislatura histórica para a representatividade feminina é uma conquista que carrego com orgulho e responsabilidade. Como mulher do sertão, quero dar voz àquelas que muitas vezes não são ouvidas, priorizando o combate à violência, a autonomia feminina, a educação, a inclusão e a proteção às famílias”, declarou.
A deputada eleita defende que o crescimento numérico da bancada precisa ser acompanhado de participação efetiva nas decisões políticas.
“Sei que ainda enfrentamos barreiras e preconceitos, mas acredito que a competência, a união e o trabalho podem transformar essa realidade”, afirmou.
Eleita para o primeiro mandato, Bella Carmelo (PL), candidata mais votada para a Assembleia Legislativa nas eleições de 2026, também considera que a presença feminina em cargos políticos pode incentivar novas lideranças.
“Talvez, daqui a alguns anos, mais mulheres estejam ocupando vagas na Câmara de Fortaleza, na Assembleia Legislativa e em outras instituições, porque se sentiram representadas e inspiradas por lideranças femininas”, declarou.
Entre as prioridades anunciadas pela parlamentar estão a melhoria da educação pública, a ampliação do acesso às creches, a infraestrutura escolar e o atendimento às famílias atípicas.
“Garantir uma educação pública de qualidade, ampliar o acesso às creches, melhorar a infraestrutura das escolas, assegurar uma alimentação escolar adequada e oferecer suporte às famílias atípicas também são formas de promover os direitos e a qualidade de vida das mulheres”, destacou.
A posse dos 46 deputados estaduais eleitos está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando terá início a 32ª legislatura da Assembleia Legislativa do Ceará.
O aumento da bancada feminina representa um avanço na diversidade de representação política, embora as mulheres ainda ocupem menos de um terço das cadeiras do Parlamento estadual.
O desafio para a próxima legislatura será transformar a maior presença feminina em participação efetiva nas decisões institucionais, na formulação de leis e na construção de políticas públicas.
Com representantes de diferentes partidos e correntes políticas, a nova bancada terá a oportunidade de ampliar o debate sobre igualdade de oportunidades, segurança, educação, saúde, autonomia econômica e enfrentamento da violência contra as mulheres.
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