

Atriz brasileira Renata Alves Mietto foi detida por agentes do ICE no aeroporto de Los Angeles e está presa há mais de um mês nos Estados Unidos | Foto: arquivo pessoal
04 de outubro de 2026 – A atriz brasileira Renata Alves Mietto, de 26 anos, está detida há mais de um mês nos Estados Unidos após ser presa por agentes do ICE, o serviço de imigração norte-americano, no aeroporto de Los Angeles.
Ela foi abordada no dia 27 de agosto, quando se preparava para embarcar para o Havaí em uma viagem de família para comemorar o aniversário da mãe.
Segundo a família, Renata está em situação migratória irregular e teve a liberdade negada em audiência realizada em 18 de setembro. No dia seguinte, foi transferida algemada para El Paso, no Texas.
A defesa da brasileira solicita agora a saída voluntária dela dos Estados Unidos.
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De acordo com Márcia Rilda Alves dos Reis, mãe de Renata, a filha passou normalmente pela segurança e pelo raio-x do aeroporto, entrou com o passaporte e já estava no portão de embarque quando foi abordada por agentes do ICE à paisana.
“Nós achávamos que, nessa questão de pegar voo, eles só estavam pegando quem tivesse algum tipo de crime. Mas a gente não sabia que eles estavam prendendo qualquer pessoa. Quando você passa na segurança, eles têm essa ligação direta com o ICE, essa impressão que a gente tem”, contou Márcia.
Renata chegou aos Estados Unidos em 2016, aos 16 anos. No país, concluiu o ensino médio e estudou Artes Cênicas na Utah Valley University.
Há pouco mais de três anos, vive em Los Angeles, onde também construiu carreira profissional.
Como atriz, participou de produções como The Cool Kids. Paralelamente, tornou-se proprietária de uma empresa de limpeza que, segundo a mãe, emprega mais de 20 pessoas.
O sonho da jovem, afirma Márcia, é seguir carreira no cinema.
A mãe explica que a filha perdeu o status de permanência nos Estados Unidos há cerca de dois anos, após receber uma orientação jurídica equivocada.
Depois de ser presa no aeroporto, Renata foi levada inicialmente para um centro de detenção em Los Angeles.
Posteriormente, foi transferida para Adelanto, na Califórnia, onde permaneceu por mais de 20 dias enquanto a família tentava acompanhar o processo com advogados.
No dia 18 de setembro, a brasileira participou de uma audiência.
A defesa pediu que ela pudesse responder ao processo em liberdade, mas o pedido foi negado sob o argumento de que ela representaria um risco.
Segundo Márcia, a filha nunca cometeu crime e estaria detida exclusivamente por estar sem status migratório regular.
Para Márcia, a situação é de desespero.
“Para mim, como mãe, é um desespero tão grande ver a minha filha passar por isso. Porque ela não cometeu nenhum crime. Ela não tem motivo algum para estar presa só pelo fato de estar sem status. Isso não significa que eles podem fazer essa covardia, e não é só com ela, mas com tantas outras pessoas ali dentro. Ali tem mães, pessoas que estão presas sem motivo. Eles estão pegando todo mundo e fazendo essa covardia. Eu quero tirar minha filha dali, urgente”, afirmou Márcia.
No dia seguinte à audiência, em 19 de setembro, Renata foi transferida para El Paso, no Texas.
Segundo a mãe, a transferência foi marcada por horas de espera, uso de algemas e restrições físicas.
“Eu sei que ela ficou muito tempo, ficou horas dentro de uma van sem poder fazer xixi, sem poder tomar água, algemada nos pés, na cintura, nas mãos, sentada por horas até entrar no voo. Chegando lá, ficou das 21h até o dia seguinte às 17h sentada, quando ela foi colocada em um quarto”, relatou.
Márcia disse ainda que, durante todo esse período, a filha permaneceu algemada.
“Durante todas essas horas, a noite inteira, com frio. Ela pediu para poder usar o suéter dela que estava na mala. Mas sumiram com a bolsa de mão dela, com os documentos, com o cartão de crédito, com joias. Até hoje, a mala não apareceu”, contou.
Segundo Márcia, Renata apresentou inchaço nas pernas e nos pés e dor de garganta depois de passar muitas horas sentada em um banco pequeno e em um ambiente gelado.
A família tenta autorização para visitá-la, mas ainda não conseguiu agendamento com o centro de detenção.
Do lado de fora da prisão, familiares e advogados buscam uma solução para o caso.
A mãe afirma que a filha segue aconselhamento jurídico e solicita a saída voluntária do país, mesmo que essa não fosse sua vontade inicial.
“Ela queria pelo menos voltar na casa dela, pegar as coisas dela. Ela tem um coelho que já tem seis anos. É tanta coisa, sabe? Emocionalmente. É tanto sentimento de injustiça. Apesar de ela ter ficado esse tempo fora de status, não é ilegal, é fora de status. Ela é uma menina que entrou aqui com 16 anos, estudou aqui. Eu pagava todos os estudos dela. Paguei muito caro para ela estudar. Então, ela fez faculdade. E, infelizmente, a gente teve uma orientação errada de um advogado. Ela está emocionalmente devastada, descontrolada”, descreveu Márcia.
Segundo a advogada de imigração Gisele Ambrósio, que também atua junto ao Consulado de Los Angeles, houve aumento no número de detenções em aeroportos dos Estados Unidos desde junho, inclusive em embarques nacionais.
“Existe uma gama variada de pessoas que estão sendo presas pelo ICE. Por exemplo, pessoas fora de status, com asilo pendente, com pedidos de extensão de visto, pedidos até de green card pendentes, pessoas com ordem de deportação final e até com permissão de trabalho, mas sem aprovação final do caso”, relatou Gisele.
A advogada também aponta queda na procura por novos pedidos de green card, cidadania e vistos de residência em um momento de endurecimento das políticas migratórias nos Estados Unidos.
Segundo dados do governo norte-americano citados pela reportagem, houve queda de 45% no número de pedidos de imigração recebidos pelo USCIS no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.
Gisele Ambrósio recomenda cautela a imigrantes que estejam com casos pendentes junto às autoridades migratórias norte-americanas.
“Eu acho que qualquer imigrante, nesse momento, que tiver um caso pendente com a imigração, não deve viajar antes de consultar seu advogado de imigração. Tenha sempre o número do seu advogado escrito em algum lugar ou de cor. Deixe cópias da sua documentação com seus amigos. Tenha sempre um plano do que fazer se algo acontecer com você, se você tiver filhos, tiver bens. É muito importante já deixar esse planejamento todo feito, caso algo aconteça com você nos Estados Unidos nesse momento”, aconselhou a advogadaServiço
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