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Economia: EUA oficializam tarifa contra o Brasil Sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros começa a valer no dia 22 e reacende tensão comercial entre Brasília e Washington

Economia: EUA oficializam tarifa contra o Brasil

Estados Unidos oficializam tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que reacende tensão comercial com o Brasil | Foto: AP/Alex Brandon

16 de julho de 2026 – Os Estados Unidos oficializaram, nesta quarta-feira (15), a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), comandado pelo embaixador Jamieson Greer, por determinação do presidente Donald Trump.

A decisão encerra uma investigação comercial que durou cerca de um ano e foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite a Washington retaliar práticas de outros países consideradas “injustas”, “irracionais” ou “discriminatórias” e que, na avaliação norte-americana, prejudiquem o comércio dos Estados Unidos.

A nova tarifa começará a valer no dia 22 de julho e será aplicada a produtos brasileiros que não estejam incluídos na lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano.

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USTR aponta seis áreas de conflito

Segundo o USTR, a investigação concluiu que medidas brasileiras em seis áreas restringem os negócios de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores dos Estados Unidos.

Entre os pontos citados estão comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais consideradas desleais, enfraquecimento no combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Entre os alvos da investigação aparecem o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, a política tarifária brasileira, o combate à pirataria, o mercado de etanol e a fiscalização ambiental.

O governo brasileiro rejeita a interpretação norte-americana e sustenta que o Pix, a regulação de plataformas digitais e as políticas ambientais do país não constituem barreiras comerciais.

Greer defende política de Trump

Em comunicado, Jamieson Greer afirmou que a decisão integra a política econômica do governo Donald Trump.

“Proteger os interesses econômicos americanos contra práticas comerciais desleais é a base da política ‘América em Primeiro Lugar’ do presidente Trump”, disse o representante comercial dos Estados Unidos.

Greer também citou punições a empresas de tecnologia dos EUA que, segundo ele, se recusariam a “censurar discurso político”, além do que classificou como retrocesso no enfrentamento à corrupção e exploração de terras desmatadas ilegalmente por produtores brasileiros.

“As práticas comerciais desleais do Brasil impediram trabalhadores e produtores americanos de acessar esse importante mercado, com mais de 210 milhões de consumidores”, afirmou Greer.

Apesar da oficialização da tarifa, o representante comercial disse que Washington “permanece aberto a continuar as negociações” para resolver os pontos levantados na investigação.

Lista de exceções reduz impacto

A tarifa adicional de 25% não atingirá todos os itens exportados pelo Brasil aos Estados Unidos.

A lista de exceções divulgada pelo USTR deixa de fora mais de 1,6 mil códigos tarifários, conhecidos como HTS.

Entre os produtos poupados estão café, carne bovina, suco de laranja, castanha, minério de ferro, petróleo, fármacos e peças para aeronaves civis.

A exclusão de peças aeronáuticas é relevante para a Embraer, terceira maior fabricante de jatos civis do mundo.

Também ficam fora da nova tarifa bens já sujeitos às tarifas da Seção 232, como aço, alumínio e cobre.

Planalto avalia alcance da medida

O alcance da lista de produtos poupados é considerado decisivo pelo governo brasileiro para medir o impacto econômico real do tarifaço.

A avaliação do Planalto é que a amplitude das exceções ajudará a calibrar a resposta do Brasil e a definir quais setores precisarão de maior atenção.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalhava com o cenário de taxação e vinha classificando a sobretaxa como “injusta e sem fundamento”.

Na véspera da decisão, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Itamaraty e da Presidência da República voltaram a se reunir com Jamieson Greer.

Foi o quinto encontro de alto nível da rodada de negociações.

Brasil vê medida como injusta

Em nota, o governo brasileiro afirmou que nenhuma das razões apontadas na investigação da Seção 301 justificaria a aplicação das tarifas.

“A aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, registrou o governo brasileiro.

A posição oficial de Brasília é que a medida norte-americana carece de fundamento técnico e pode prejudicar cadeias produtivas integradas entre os dois países.

O governo também entende que a sobretaxa pode afetar empresas, exportadores e consumidores, dependendo da abrangência final da medida.

Reciprocidade está no radar

Como resposta, o Planalto avalia atuar em duas frentes.

A primeira é contestar a medida e tentar ampliar a lista de exceções para produtos estratégicos.

A segunda é acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em abril de 2025, que autoriza o Executivo brasileiro a adotar contramedidas diante de ações comerciais consideradas prejudiciais ao país.

Entre as possíveis respostas estão tarifas sobre importações norte-americanas e suspensão de concessões comerciais.

A decisão de retaliar, no entanto, dependerá de uma avaliação sobre os impactos para consumidores, empresas e cadeias produtivas brasileiras.

Lula discute reação com Itamaraty

Nesta quarta-feira (15), o presidente Lula se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Planalto, para discutir a reação brasileira.

O governo tenta equilibrar firmeza política, defesa dos interesses nacionais e preservação de canais diplomáticos com Washington.

A estratégia brasileira deve combinar negociação, contestação técnica e preparação de medidas de reciprocidade, caso o impacto da tarifa seja considerado significativo.

Linha do tempo da investigação

A investigação foi aberta em 15 de julho de 2025, quando o USTR iniciou a apuração sobre práticas brasileiras, por determinação de Donald Trump, e pediu consultas ao governo brasileiro.

Em 3 de setembro de 2025, foi realizada a primeira audiência pública sobre o caso.

Nos dias 15 e 16 de abril de 2026, ocorreram consultas formais entre os dois governos.

Em 1º de junho de 2026, o USTR determinou que práticas brasileiras seriam “irracionais” e propôs a tarifa de 25%, abrindo prazo para manifestações.

Em 1º de julho de 2026, foi encerrado o prazo para comentários, com mais de 360 manifestações recebidas.

Nos dias 6 e 7 de julho de 2026, ocorreu a segunda audiência pública, com 77 depoentes.

Em 15 de julho de 2026, o governo dos Estados Unidos oficializou a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

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Tags: Estados Unidos, Brasil, tarifaço, tarifa de 25%, USTR, Jamieson Greer, Donald Trump, Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, Seção 301, Lei de Comércio de 1974, comércio exterior, exportações brasileiras, produtos brasileiros, MDIC, Itamaraty, Mauro Vieira, Palácio do Planalto, Lei da Reciprocidade Econômica, reciprocidade comercial, Pix, plataformas digitais, etanol, açúcar, desmatamento ilegal, propriedade intelectual, corrupção, Embraer, café, carne bovina, suco de laranja, minério de ferro, petróleo, fármacos, aço, alumínio, cobre, relações Brasil Estados Unidos, diplomacia comercial, Portal Terra Da Luz

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O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

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