

O Setembro Dourado chama atenção para o câncer infantojuvenil e para a importância de reconhecer sinais persistentes em crianças e adolescentes. | Foto: reprodução
29 de setembro de 2026 – O Hospital São Carlos/Rede D’Or aderiu à campanha Setembro Dourado, iniciativa dedicada à conscientização sobre o câncer infantojuvenil e à importância do diagnóstico precoce. No Ceará, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta para cerca de 280 novos casos da doença entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos em 2026.
Do total estimado para o Estado, são esperados 160 casos entre meninos e 120 entre meninas. Em todo o Brasil, a estimativa oficial do INCA é de aproximadamente 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil no período.
Segundo o INCA, o câncer é atualmente a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no país, representando 8% dos óbitos por enfermidades nessa faixa etária.
Apesar do impacto da doença, as chances de cura são elevadas quando o câncer é identificado precocemente e tratado de maneira adequada. De acordo com o instituto, cerca de 80% das crianças e adolescentes diagnosticados podem ser curados quando recebem diagnóstico precoce e tratamento em centros especializados.
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Um dos desafios para o diagnóstico é reconhecer os primeiros sinais da doença. Alguns sintomas podem se assemelhar a problemas frequentes durante a infância, o que pode atrasar a investigação.
A oncologista pediátrica do Hospital São Carlos/Rede D’Or, Ana Eduvirges Carneiro de Oliveira, explica que a persistência e a progressão dos sintomas devem chamar a atenção de pais, responsáveis e profissionais de saúde.
“Devemos ficar atentos para alguns sinais, como febre persistente, palidez, manchas roxas pelo corpo, vômitos principalmente pela manhã, dor de cabeça, entre outros. A maioria dos sintomas se parece com outras doenças da infância, mas se diferencia por serem persistentes e progressivos, por isso a importância do acompanhamento com pediatra, para que a criança seja avaliada e, caso mantenha persistência dos sintomas, a investigação diagnóstica seja feita precocemente”, afirma.
Entre os sinais que merecem avaliação médica estão aumento do volume abdominal, surgimento de gânglios ou ínguas sem causa aparente nas regiões cervical, inguinal ou axilar, aparecimento de nódulos e perda de peso sem explicação.
Também podem exigir investigação dores de cabeça acompanhadas de vômitos, alterações nos olhos, como estrabismo ou reflexo esbranquiçado, dores nos ossos ou articulações, febre prolongada e regressão do desenvolvimento em crianças pequenas.
A presença desses sintomas não significa, por si só, que a criança tenha câncer. A avaliação por profissionais de saúde é necessária para identificar a causa e determinar se há necessidade de investigação complementar.
Ana Eduvirges destaca que, diferentemente de diversos tipos de câncer em adultos, a maioria dos casos de câncer infantil não possui formas conhecidas de prevenção. Por isso, a identificação precoce dos sinais é uma das principais estratégias para melhorar os resultados do tratamento.
“No câncer infantil, ao contrário do adulto, em sua grande maioria não temos formas de prevenção, por isso a importância das campanhas de diagnóstico precoce. Precisamos conscientizar os pais, os professores e toda rede de apoio que tem contato com a criança quanto aos sinais e sintomas do câncer infantil. Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as chances de tratamento bem-sucedido”, destaca.
A campanha Setembro Dourado também busca ampliar o conhecimento entre profissionais de saúde. Pediatras e equipes da atenção básica frequentemente são os primeiros profissionais a avaliar crianças que apresentam sintomas persistentes.
“Como profissionais de saúde, temos um poder enorme em nossas mãos, de fazer a diferença na vida dos nossos pacientes. Precisamos ter o conhecimento dos principais sinais e sintomas do câncer na infância. Pois só vamos pensar em um diagnóstico se tivermos conhecimento sobre esse diagnóstico”, completa a médica.
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