

A conferência da embalagem, do número do lote, da validade e da procedência é fundamental para reduzir os riscos de adquirir medicamentos falsificados | Foto: Ilustração/Portal Terra da Luz
14 de outubro de 2026 – A comercialização de medicamentos falsificados representa uma ameaça à saúde pública e exige atenção redobrada dos consumidores. Produtos adulterados podem não conter o princípio ativo necessário ao tratamento, apresentar dosagens inadequadas ou incluir substâncias desconhecidas e potencialmente prejudiciais ao organismo. Para reduzir os riscos, especialistas recomendam observar a embalagem, conferir as informações do fabricante e verificar a procedência do medicamento antes da compra e da utilização.
A falsificação nem sempre é facilmente identificada. Alguns produtos apresentam características visuais muito semelhantes às dos medicamentos originais, dificultando a percepção de irregularidades por parte dos consumidores.
Por isso, a orientação é desconfiar de ofertas com preços muito inferiores aos praticados no mercado e evitar compras em estabelecimentos ou plataformas digitais que não comprovem a origem dos produtos.
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Um dos primeiros cuidados recomendados é examinar atentamente a embalagem do medicamento.
Erros de impressão, alterações nas cores, textos com problemas de ortografia, informações incompletas e etiquetas aparentemente adulteradas podem indicar irregularidades.
Também é importante verificar se a caixa apresenta sinais de violação, lacres rompidos ou danos que comprometam a identificação e a segurança do produto.
O consumidor deve conferir o nome do medicamento, o fabricante, o número do lote, a data de validade e o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Quando houver embalagem interna, como cartela ou frasco, o número do lote deve corresponder à identificação apresentada na caixa.
A Anvisa orienta ainda a verificar a presença do telefone de atendimento ao consumidor do fabricante e a integridade do lacre de segurança.
Para o farmacêutico Maurício Filizola, presidente da Rede de Farmácias Santa Branca e diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL Fortaleza), a prevenção deve começar antes mesmo da aquisição do medicamento.
Segundo ele, o consumidor não deve confiar exclusivamente na aparência da embalagem, já que algumas falsificações reproduzem características do produto original com elevado grau de semelhança.
“O consumidor não deve esperar que um medicamento falsificado tenha necessariamente uma aparência muito diferente do original. Algumas falsificações podem ser difíceis de reconhecer a olho nu. Por isso, mais do que analisar apenas a caixa, é importante desconfiar de ofertas muito abaixo do preço habitual e de produtos cuja origem não possa ser comprovada. Quando se trata de medicamento, economizar alguns reais pode significar colocar a saúde em risco”, afirma Maurício Filizola.
O especialista ressalta que a escolha de estabelecimentos confiáveis é uma das medidas mais importantes para reduzir a possibilidade de adquirir produtos adulterados.
A procedência do medicamento é um fator determinante para garantir maior segurança ao consumidor.
A recomendação é adquirir produtos somente em farmácias e drogarias devidamente regularizadas, inclusive quando a compra for realizada pela internet.
Sites desconhecidos, vendedores informais, perfis em redes sociais e ofertas divulgadas em aplicativos de mensagens exigem atenção especial, sobretudo quando não apresentam informações claras sobre o estabelecimento responsável pela venda.
A Anvisa também recomenda adquirir medicamentos nas embalagens completas, com emissão de nota fiscal, documento importante para identificar o fornecedor e comprovar a transação.
A agência mantém alertas públicos sobre produtos falsificados e determina medidas de apreensão e proibição de comercialização quando identifica irregularidades.
Os riscos associados à falsificação vão além da possibilidade de ingestão de substâncias desconhecidas.
Um medicamento que não contém a quantidade correta do princípio ativo pode comprometer o controle de doenças e prejudicar a recuperação do paciente.
Em tratamentos contínuos, a utilização de produtos sem eficácia comprovada pode contribuir para o agravamento do quadro clínico, especialmente quando o paciente acredita estar recebendo a medicação prescrita.
Também existem riscos de intoxicação, reações adversas e outras complicações relacionadas à composição irregular dos produtos.
A gravidade depende do tipo de medicamento, das substâncias presentes e das condições de saúde da pessoa que utiliza o produto.
Caso identifique características incomuns no medicamento, o consumidor não deve utilizar o produto até que sua autenticidade seja esclarecida.
A orientação é preservar a embalagem original, o medicamento, a nota fiscal e outros comprovantes de compra.
Também é importante procurar um farmacêutico e entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor do fabricante, informando os dados disponíveis, especialmente o número do lote.
A suspeita deve ser comunicada à Vigilância Sanitária e pode ser registrada nos canais oficiais da Anvisa.
Em caso de reações inesperadas ou alterações no estado de saúde após o uso de um medicamento suspeito, é fundamental procurar atendimento médico.
Pacientes que utilizam medicamentos de uso contínuo também devem buscar orientação profissional para evitar interrupções prejudiciais ao tratamento.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária disponibiliza mecanismos para comunicação de irregularidades relacionadas a medicamentos.
Os consumidores podem registrar denúncias pela plataforma Fala.BR, vinculada à Ouvidoria da Anvisa. Profissionais de saúde também podem comunicar suspeitas de falsificação e outros desvios de qualidade por meio do sistema Notivisa.
As informações contribuem para a investigação de possíveis irregularidades, identificação de produtos adulterados e adoção de medidas de fiscalização e proteção à população.
A atenção aos detalhes no momento da compra e a conferência das informações presentes na embalagem são medidas simples que ajudam a reduzir os riscos relacionados aos medicamentos falsificados.
Entretanto, mesmo quando o produto aparentemente apresenta todas as características de um medicamento original, a segurança depende de sua procedência e regularidade.
Para Maurício Filizola, o consumidor deve compreender que a compra de medicamentos exige cuidados diferentes daqueles adotados na aquisição de produtos comuns.
A principal recomendação é não utilizar qualquer medicamento cuja autenticidade esteja sob suspeita e buscar orientação profissional sempre que houver dúvidas.
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