

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomará a agenda de viagens internacionais em novembro, após a reeleição. A programação inclui a COP31, na Turquia, compromissos nas Filipinas, a Cúpula do Mercosul, no Uruguai, e o G20, nos Estados Unidos, onde poderá voltar a encontrar Donald Trump | Foto: REUTERS/Fabian Bimmer
01 de novembro de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomará a agenda internacional em novembro, após ser reeleito para um quarto mandato à frente da Presidência da República. A programação prevê viagens à Turquia, às Filipinas, ao Uruguai e aos Estados Unidos, onde participará de encontros multilaterais voltados à economia, ao comércio internacional e às mudanças climáticas.
Entre os compromissos estão a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), a agenda diplomática com países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), a Cúpula do Mercosul e a reunião de líderes do G20, que será presidida pelo presidente americano Donald Trump.
A participação de Lula nesses eventos aguardava a definição do segundo turno das eleições presidenciais. Na última semana, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com o presidente no Palácio da Alvorada, em Brasília, para acertar os detalhes dos compromissos no exterior.
A agenda marcará o retorno das viagens internacionais depois do período de campanha eleitoral e deverá concentrar discussões estratégicas para a política externa brasileira.
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A primeira viagem está prevista para a cidade de Antália, na Turquia, onde será realizada a COP31, entre os dias 9 e 20 de novembro.
A participação de Lula está programada para os dias 11 e 12, durante a reunião de chefes de Estado e de governo. UNFCCC
O encontro terá importância especial para o Brasil, que transferirá à Turquia a presidência da Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), exercida pelo governo brasileiro durante a COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém, no Pará.
A equipe de relações internacionais do Palácio do Planalto ainda prepara o discurso que será apresentado pelo presidente brasileiro.
A expectativa é que Lula defenda o fortalecimento da cooperação multilateral para enfrentar o aquecimento global, com destaque para a necessidade de ampliar os compromissos internacionais de combate às mudanças climáticas.
O posicionamento deverá reforçar a defesa brasileira de iniciativas conjuntas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento para enfrentar os impactos ambientais.
Após os compromissos na Turquia, o presidente brasileiro seguirá para as Filipinas, onde está prevista uma visita de Estado em 13 de novembro.
A programação deverá incluir a assinatura de acordos bilaterais entre Brasil e Filipinas, além de reuniões diplomáticas voltadas ao fortalecimento das relações políticas e comerciais.
Uma visita de Estado representa o mais alto nível de compromisso diplomático entre países e pode envolver encontros entre chefes de Estado, autoridades ministeriais e representantes do Poder Legislativo, além de cerimônias oficiais.
A viagem integra a estratégia do governo brasileiro de ampliar a presença econômica no Sudeste Asiático, considerado um mercado importante para a diversificação das exportações nacionais.
A agenda nas Filipinas também está relacionada à Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco formado atualmente por 11 países.
Integram a organização Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Mianmar, Brunei, Camboja, Laos e Timor-Leste.
Juntas, essas economias reúnem um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 4 trilhões, fazendo da região um dos principais polos econômicos mundiais.
A programação divulgada pela reportagem original prevê compromissos de Lula relacionados à Asean nos dias 14 e 15 de novembro. Entretanto, o calendário oficial da 49ª Cúpula da organização indica a realização do encontro entre 10 e 12 de novembro, em Manila, o que exige confirmação sobre a natureza e as datas das atividades presidenciais. Navigating Our Future, Together
A aproximação do Brasil com os países asiáticos vem sendo trabalhada pelo Ministério das Relações Exteriores.
Em outubro, Mauro Vieira visitou Singapura e Tailândia. Já em agosto, Lula e o chanceler receberam, em Brasília, a secretária de Negócios Estrangeiros das Filipinas, Maria Tereza Lázaro.
Os encontros fazem parte do esforço para ampliar investimentos, diversificar parceiros comerciais e fortalecer a presença brasileira nos mercados asiáticos.
Em dezembro, Lula deverá participar da Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai.
O encontro de chefes de Estado está marcado para 4 de dezembro, dentro de uma programação de reuniões preparatórias que começa nos dias anteriores. Calendario PPTU
A reunião poderá proporcionar um novo encontro entre Lula e o presidente argentino Javier Milei, caso o mandatário confirme sua presença.
A relação diplomática entre Brasil e Argentina atravessa um período de tensão, agravado por divergências políticas e comerciais.
Milei é crítico de determinadas regras do Mercosul e defende maior flexibilidade para a negociação de acordos comerciais pelos países integrantes.
O presidente argentino não participou da última cúpula do bloco, realizada em junho, em Assunção, no Paraguai.
As relações entre Lula e Milei sofreram novos desgastes após declarações críticas do presidente argentino ao governo brasileiro.
A tensão levou o Brasil a chamar de volta seu embaixador em Buenos Aires, enquanto o representante argentino também foi orientado a retornar ao país, reduzindo o nível da representação diplomática entre os governos.
Segundo a apuração da CNN Brasil, a equipe internacional de Lula não identifica, neste momento, condições políticas para normalizar a representação diplomática.
Outro fator que ampliou as divergências foi a discussão sobre a possível participação de integrantes do governo argentino na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, após sua derrota nas eleições presidenciais.
Além disso, o governo da Argentina não divulgou comunicado oficial reconhecendo a vitória de Lula no segundo turno, realizado em 25 de outubro.
O chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, já descartou a possibilidade de o Uruguai atuar como mediador direto da crise bilateral, embora tenha defendido a redução das tensões entre os presidentes.
Além dos impasses políticos, a cúpula de Montevidéu deverá discutir questões econômicas e comerciais relevantes para os países integrantes do Mercosul.
Entre elas está a negociação sobre a distribuição das cotas de exportação destinadas à União Europeia com isenção de tarifas.
O bloco também busca ampliar sua atuação internacional por meio de novas parcerias comerciais.
Na cúpula realizada em junho, em Assunção, foi anunciado oficialmente o início das negociações com o Japão para um acordo de associação econômica e cooperação.
O encontro em Montevidéu também marcará o encerramento da presidência temporária do Uruguai no Mercosul.
O compromisso internacional mais aguardado da agenda de dezembro será a Cúpula do G20, programada para os dias 14 e 15, em Miami, na Flórida, Estados Unidos. G20 Information Centre+1
O encontro será presidido por Donald Trump e reunirá líderes das principais economias mundiais para discutir desafios econômicos, financeiros e geopolíticos.
A participação de Lula colocará os presidentes brasileiro e americano no mesmo ambiente pela primeira vez após a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil em direção aos Estados Unidos.
Apesar da coincidência de agendas, ainda não havia, até a publicação da reportagem original, uma reunião bilateral formalmente agendada entre Lula e Trump durante o G20.
O encontro poderá ocorrer em um momento de novas tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.
A presença de Lula nos Estados Unidos ganha relevância adicional diante dos questionamentos relacionados à viagem de Flávio Bolsonaro.
Segundo informações publicadas pelo jornal americano The New York Times, existem suspeitas sobre possível auxílio de integrantes da administração Trump na saída do senador brasileiro.
A eventual participação de autoridades americanas é objeto de questionamentos, mas não foi estabelecida como fato comprovado.
Outro ponto de divergência envolve as manifestações de Trump sobre as eleições brasileiras.
O presidente americano ainda não havia parabenizado Lula pela reeleição e levantou suspeitas de irregularidades na votação, sem apresentar provas de fraude.
Apesar das críticas, Trump também declarou que mantém uma boa relação com o presidente brasileiro.
O último encontro presencial entre Lula e Donald Trump ocorreu em maio deste ano, durante visita oficial do presidente brasileiro à Casa Branca.
Na ocasião, os dois mandatários participaram de uma reunião de aproximadamente três horas, posteriormente classificada por ambos como “muito boa” e “produtiva”.
Em agosto, os presidentes voltaram a conversar, desta vez por telefone, durante cerca de uma hora e meia.
Segundo o relato da reportagem original, Lula utilizou a conversa para defender a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e solicitar que Trump não interferisse na disputa presidencial do país.
A possibilidade de um novo encontro durante o G20 dependerá de negociações entre as equipes diplomáticas.
Com a retomada das viagens internacionais, o governo Lula pretende ampliar sua atuação em diferentes frentes diplomáticas até o encerramento de 2026.
Na COP31, o foco estará na cooperação internacional para enfrentar as mudanças climáticas. Nas Filipinas, a prioridade será a aproximação comercial com os países do Sudeste Asiático.
No Mercosul, o Brasil participará de negociações econômicas em meio às divergências com a Argentina. Já no G20, a agenda envolverá discussões sobre os rumos da economia mundial e a relação com os Estados Unidos.
Os compromissos ocorrerão durante a preparação do quarto mandato presidencial de Lula, que terá início em janeiro de 2027.
| Data | Compromisso | Local |
|---|---|---|
| 11 e 12 de novembro | Participação de Lula na COP31 | Antália, Turquia |
| 13 de novembro | Visita de Estado às Filipinas | Manila, Filipinas |
| Novembro, a confirmar | Compromissos relacionados à Asean | Manila, Filipinas |
| 4 de dezembro | Cúpula do Mercosul | Montevidéu, Uruguai |
| 14 e 15 de dezembro | Cúpula de Líderes do G20 | Miami, Estados Unidos |
As datas correspondem à programação prevista até 1º de novembro de 2026 e estão sujeitas a alterações. O calendário oficial da Asean indica sua cúpula de 10 a 12 de novembro, enquanto a agenda presidencial divulgada na reportagem menciona compromissos nos dias 14 e 15.
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