

Os procedimentos estão previstos para os dias 16 e 17 de outubro, pelo SUS, com participação de uma equipe que acumula experiência em mais de 3 mil transplantes renais. | Foto: divulgação
14 de outubro de 2026 – O Ceará terá os primeiros transplantes renais com implante do rim por cirurgia robótica nos dias 16 e 17 de outubro, no Hospital Cura D’Ars, da Rede São Camilo, em Fortaleza. Os procedimentos serão realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e marcam a introdução dessa tecnologia no programa de transplante renal do Estado.
A equipe responsável pelos procedimentos tem origem no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e reúne profissionais com décadas de experiência na área, acumulando mais de 3 mil transplantes renais. Atualmente, os especialistas integram o Centro de Transplante Renal de Fortaleza e atuam no programa da unidade hospitalar.
A iniciativa busca incorporar recursos tecnológicos avançados aos procedimentos já realizados no Ceará, com foco na precisão cirúrgica e na segurança dos pacientes.
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A cirurgia robótica permite ao médico operar com visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados que possibilitam movimentos precisos. Esses recursos podem contribuir para a execução de etapas delicadas do transplante, como as conexões entre os vasos sanguíneos e a reconstrução do trato urinário.
A técnica também busca reduzir o trauma relacionado ao acesso cirúrgico e favorecer a recuperação após a operação. Os resultados, no entanto, dependem das condições clínicas de cada paciente e da avaliação da equipe responsável.
Na fase inicial do programa, estão previstos dez procedimentos, começando pelos transplantes intervivos programados, realizados quando o rim é doado por uma pessoa viva. Nesses casos, a retirada do órgão do doador será feita por técnica minimamente invasiva, enquanto o implante no receptor contará com o auxílio da plataforma robótica.
O urologista e cirurgião de transplante renal Anastácio Dias é o responsável pela implantação da técnica robótica no programa. Segundo ele, a novidade representa uma evolução de um trabalho construído ao longo de décadas no Ceará.
“Estamos trazendo uma nova tecnologia para um programa construído sobre décadas de experiência. Nossa equipe é proveniente do Hospital Geral de Fortaleza e acumula mais de 3 mil transplantes renais realizados. Agora damos um novo passo, incorporando a cirurgia robótica ao transplante renal, com os primeiros procedimentos realizados pelo SUS. O objetivo não é apenas fazer uma cirurgia pioneira, mas estabelecer um programa seguro, estruturado e sustentável de transplante renal robótico no Ceará”, afirma.
Anastácio Dias tem cerca de duas décadas de atuação no programa de transplante renal de Fortaleza e experiência em cirurgia robótica urológica. A implantação da nova técnica foi precedida por treinamento específico e intercâmbio com centros internacionais especializados.
Uma das referências utilizadas na preparação do programa foi a Fundació Puigvert, em Barcelona, na Espanha, instituição europeia com experiência em transplantes renais robóticos.
O treinamento incluiu acompanhamento presencial de cirurgias, discussão de técnicas, padronização de materiais e planejamento da implantação do programa em Fortaleza.
Os primeiros procedimentos também contarão com consultoria e proctoria internacional do médico Andre Belarmino, formado pela Weill Cornell Medicine, com graduação em Psicologia pela Princeton University e residência em Urologia pela UCLA David Geffen School of Medicine/UCLA Medical Center.
Atualmente, Belarmino atua como fellow em transplante renal robótico e oncologia urológica na Fundació Puigvert. Ele também ocupa o cargo de diretor de Estratégia e Inovação na Viz.ai, empresa voltada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para a área da saúde.
O transplante renal assistido por robô ainda é realizado em um número restrito de centros brasileiros. A realização dos procedimentos pelo SUS em Fortaleza representa a ampliação do acesso a uma tecnologia que permanece limitada no País.
A iniciativa combina recursos de cirurgia robótica com a experiência acumulada pela equipe cearense e prevê a implantação gradual da técnica, começando por casos programados com doadores vivos.
O Ceará está entre os estados brasileiros com maior volume de transplantes renais. De acordo com os dados fornecidos pelo hospital, a unidade do Cura D’Ars realizou 159 transplantes de rim entre 2022 e agosto de 2024.
A equipe responsável pelo programa reúne experiência em transplantes de pacientes adultos e pediátricos, com órgãos provenientes de doadores vivos e falecidos. A incorporação da cirurgia robótica representa uma nova etapa no desenvolvimento técnico e tecnológico do transplante renal no Estado.
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