
Papa Leão XIV passou por cirurgia no Hospital Gemelli, em Roma, para retirada de parte do pulmão direito após identificação de um tumor posteriormente confirmado como adenocarcinoma pulmonar. O Vaticano informou que a operação ocorreu sem complicações e que o pontífice está em recuperação | Foto: REUTERS/Ciro de Luca
13 de outubro de 2026 – O papa Leão XIV , de 71 anos, foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, um dos tipos mais comuns de câncer de pulmão. A confirmação ocorreu nesta terça-feira (13), durante uma cirurgia realizada no Hospital Policlínico Agostino Gemelli, em Roma, na Itália. O procedimento retirou o lobo inferior do pulmão direito do pontífice e foi concluído com sucesso, sem complicações, segundo boletim médico divulgado pelo Vaticano.
O tumor havia sido identificado durante exames médicos de rotina, que levantaram suspeitas sobre a presença de um nódulo pulmonar. A análise do tecido realizada durante a operação confirmou o diagnóstico de câncer.
De acordo com a Santa Sé, a intervenção durou aproximadamente 90 minutos e foi realizada por uma equipe especializada em cirurgia torácica, coordenada pelo professor Stefano Margaritora.
Após o procedimento, Leão XIV despertou normalmente da anestesia e retornou ao quarto, onde permanece em recuperação. A previsão inicial é de aproximadamente uma semana de internação.
Apesar do resultado positivo da cirurgia, o Vaticano ainda não informou oficialmente o estágio da doença, informação fundamental para determinar o prognóstico e a necessidade de tratamentos complementares.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
O adenocarcinoma é um subtipo de câncer de pulmão de células não pequenas, grupo que concentra a maior parte dos tumores malignos diagnosticados no órgão.
Esse tipo de câncer geralmente se desenvolve a partir de células glandulares presentes nos pulmões, responsáveis pela produção de substâncias como o muco que protege as vias respiratórias.
O adenocarcinoma representa aproximadamente 40% dos casos de câncer de pulmão e pode atingir fumantes e pessoas que nunca tiveram contato direto com o cigarro.
Segundo o oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, ouvido pelo g1, embora a doença seja mais frequente entre fumantes, também pode surgir em indivíduos sem histórico de tabagismo.
Nesses pacientes, os tumores podem apresentar alterações genéticas específicas, permitindo tratamentos direcionados que, em determinadas situações, oferecem resultados superiores aos da quimioterapia convencional.
O consumo de cigarros é considerado o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão.
A fumaça do tabaco contém milhares de substâncias químicas, incluindo compostos reconhecidamente cancerígenos. O risco aumenta conforme o tempo de exposição e a quantidade de cigarros consumidos.
Entretanto, pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver a doença.
Entre outros fatores associados estão a exposição ao fumo passivo, poluição atmosférica, gás radônio, amianto e substâncias presentes em ambientes industriais, como sílica, arsênio, cádmio e cromo.
Histórico familiar, doenças pulmonares crônicas e determinadas exposições ocupacionais também podem contribuir para o desenvolvimento do tumor.
Um dos principais desafios do diagnóstico precoce do câncer de pulmão é que a doença pode evoluir silenciosamente durante meses ou anos.
Tumores localizados nas regiões periféricas dos pulmões, por exemplo, frequentemente não provocam sintomas nas fases iniciais.
Quando aparecem, os sinais mais comuns incluem tosse persistente, presença de sangue no escarro, falta de ar, chiado no peito, rouquidão prolongada, infecções respiratórias recorrentes, cansaço excessivo e perda de peso sem causa aparente.
Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer, mas exigem avaliação médica, especialmente quando persistem.
No caso de Leão XIV, a identificação do nódulo durante exames de rotina, antes do aparecimento de sintomas importantes, pode representar um fator favorável. Entretanto, somente a avaliação completa permitirá determinar a extensão da doença.
A investigação do câncer de pulmão geralmente começa com exames de imagem, como radiografia ou tomografia computadorizada do tórax.
Quando uma lesão suspeita é identificada, a confirmação depende da análise de células ou fragmentos do tecido, obtidos por biópsia ou durante um procedimento cirúrgico.
Exames complementares, como PET-CT e ressonância magnética, podem ser necessários para verificar se o tumor atingiu linfonodos ou outros órgãos.
Também podem ser realizados testes moleculares para identificar mutações genéticas que orientem a escolha de medicamentos específicos.
O rastreamento com tomografia de baixa dose pode ser recomendado para pessoas com alto risco de câncer de pulmão, especialmente aquelas com histórico significativo de tabagismo, conforme avaliação médica e protocolos aplicáveis.
A escolha do tratamento depende principalmente do tamanho do tumor, de sua localização, da presença de metástases e das condições gerais de saúde do paciente.
Quando a doença é identificada precocemente e permanece localizada, a cirurgia pode representar uma possibilidade de tratamento curativo.
O procedimento realizado no papa é conhecido como lobectomia, técnica que consiste na retirada de um dos lobos pulmonares afetados pelo tumor.
Nos casos em que a cirurgia não é suficiente ou não pode ser realizada, outras modalidades terapêuticas podem ser utilizadas, como quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e medicamentos de terapia-alvo.
Segundo Stephen Stefani, pacientes com tumores em estágios iniciais podem necessitar de quimioterapia ou imunoterapia após a operação para reduzir o risco de retorno da doença.
A decisão depende da análise do material retirado, das características moleculares do tumor e do estágio confirmado.
O prognóstico do adenocarcinoma pulmonar varia significativamente de acordo com o momento em que o câncer é diagnosticado.
O estadiamento considera principalmente o tamanho do tumor, o comprometimento dos linfonodos e a existência de metástases.
De acordo com estimativas apresentadas pelo oncologista Stephen Stefani ao g1, pacientes diagnosticados no estágio 1A podem apresentar taxas de cura superiores a 90%.
No estágio 2, essas estimativas ficam entre 50% e 60%. Já no estágio 3, o prognóstico depende da extensão do comprometimento dos tecidos e linfonodos, com estimativas em torno de 25% para determinados quadros.
Nos casos de doença disseminada, classificados como estágio 4, o especialista menciona taxas de sobrevivência em cinco anos inferiores a 10%.
Esses percentuais são referências gerais, não previsões individuais. Os resultados podem variar conforme as características do tumor, as condições clínicas e os avanços dos tratamentos disponíveis.
Embora a cirurgia do papa Leão XIV tenha ocorrido sem intercorrências, informações decisivas sobre a evolução da doença ainda dependem dos resultados dos exames realizados após a retirada do tumor.
A análise definitiva deverá ajudar a esclarecer a extensão do câncer e a necessidade de tratamentos adicionais.
O diagnóstico em exame de rotina e a possibilidade de retirada cirúrgica são aspectos potencialmente favoráveis, mas ainda não permitem estabelecer as chances individuais de cura do pontífice.
Mesmo após uma operação bem-sucedida, pacientes com câncer de pulmão precisam manter acompanhamento médico prolongado, com avaliações clínicas e exames de imagem periódicos para identificar eventuais sinais de recorrência.
O Vaticano deverá divulgar novas informações sobre a recuperação do papa e a continuidade de sua agenda conforme a evolução do quadro clínico.
Leia também | Sutiã para pacientes com câncer chega ao CRIO
Tags: Papa Leão XIV, Papa Leão 14, Saúde do Papa, Vaticano, Igreja Católica, Papa com câncer, Câncer de pulmão, Adenocarcinoma pulmonar, Adenocarcinoma, Diagnóstico de câncer, Cirurgia do Papa, Hospital Gemelli, Roma, Itália, Saúde mundial, Saúde internacional, Oncologia, Câncer, Tratamento do câncer, Cirurgia pulmonar, Lobectomia, Diagnóstico precoce, Sintomas de câncer de pulmão, Prevenção do câncer, Tabagismo, Fatores de risco, Imunoterapia, Quimioterapia, Radioterapia, Terapia-alvo, Prognóstico do câncer, Medicina, Pesquisa médica, Tratamentos oncológicos, INCA, Stephen Stefani, Notícias do Vaticano, Religião, Notícias internacionais, Portal Terra da Luz