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CPI da Pandemia Senado aprova relatório final da CPI da Pandemia por 7 votos a 4 com 80 indiciamentos A reunião começou pouco depois das 10h e seguiu até noite

CPI da Pandemia: Senado aprova relatório final da CPI da Pandemia por 7 votos a 4 com 80 indiciamentos

O relatório final da CPI da Pandemia, apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-Al), tem 1.180 páginas, e recomenda o indiciamento de 78 pessoas físicas e duas pessoas jurídicas | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, que investigou denúncias de corrupção nas ações de enfrentamento à covid-19, no Brasil, encerrou na noite desta terça-feira (26/10), a votação do relatório final dos trabalhos, elaborado pelo senador Renan Calheiros. A sessão, que marcou o fim de seis meses de trabalho do colegiado, foi aberta pelo relator explicando os ajustes feitos no texto desde a semana passada, quando a primeira versão do documento foi apresentada oficialmente aos senadores.

A versão trouxe as últimas considerações, discutidas pelo grupo majoritário da comissão que se reuniu ontem. Entre as novidades estão doze novos indiciados, incluindo 10 assessores e ex-assessores do Ministério da Saúde, que estariam envolvidas no “mercado paralelo” de vacinas, além do governador do Amazonas, Wilson Lima, e do ex-secretário de Saúde do estado, Marcellus Campêlo.

Os novos pedidos de indiciamento, observou o senador, foram motivados especialmente pela negociação da vacina da Davati e pela disseminação de fake news.

Durante a sessão, os senadores Marcos Rogério (DEM-RO), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Eduardo Girão (Podemos-CE) tiveram 15 minutos, com mais cinco de tolerância, para apresentarem pareceres alternativos ao de Renan. Feitas as apresentações, os senadores discutiram os pontos do documento final e em seguida foi aberto processo de votação nominal aberta do texto do relator. Para aprovação do relatório final, bastava a aprovação em maioria simples, metade mais um dos membros titulares presentes.

Após a votação, os parlamentares fizeram um minuto de silêncio em memória às mais de 606 mil vítimas da Covid-19.

Novos Indiciados: Senado vota relatório final dos trabalhos da CPI da Pandemia nesta terça-feira
Os senadores Omar Aziz, presidente da CPI, e Renan Calheiros, relator, durante sessão para leitura do relatório da CPI da Pandemia | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Atuação

Em seis meses de trabalho, a CPI da Pandemia realizou 67 reuniões, votou mais de 500 requerimentos e 190 quebras de sigilo. O texto pede o indiciamento de 76 pessoas e de duas empresas. Uma delas é a Precisa Medicamentos, que intermediou a negociação de um contrato que acabou cancelado pelo Ministério da Saúde para a aquisição de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin. A outra é a VTClog, contratada pelo Ministério da Saúde para cuidar da logística da distribuição de vacinas e insumos contra a covid-19, que também é suspeita de irregularidades.

Entre os nomes da lista estão o do presidente da República, Jair Bolsonaro, e de quatro ministros: Marcelo Queiroga (Saúde), Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência), Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e Walter Braga Netto (Defesa). Constam ainda, entre as sugestões de indiciamento, os ex-ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Eduardo Pazuello (Saúde). Entre os parlamentares, a lista traz os deputados federais Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, Osmar Terra (MDB-RS), Carla Zambelli (PSL-SP), Bia Kicis (PSL-DF) e Carlos Jordy (PSL-RJ), além de três filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) e o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos).

Presidente da República, Jair Bolsonaro, será indiciado por 9 crimes | Foto: Reuters/Adriano Machado

Também figuram no rol de pedidos de indiciamentos Luciano Hang, Otávio Fakhoury, Carlos Wizard, além da médica Nise Yamaguchi e do virologista Paolo Zanotto, todos nomes apontados como sendo de integrantes de um gabinete paralelo de aconselhamento do presidente na pandemia.

Consequências

O relatório aprovado nesta terça-feira (26/10) com as sugestões de indiciamento será encaminhado às autoridades competentes como o Ministério Público e a Câmara dos Deputados, que poderão indiciar os citados. No relatório aprovado, além do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foram citados quatro ministros, dois ex-ministros, seis deputados, um senador, um governador, um vereador, além de treze médicos e três empresários.

Também fazem parte da lista de indiciados, os três filhos do presidente da República, Flávio (senador), Carlos (vereador do Rio de Janeiro) e Eduardo Bolsonaro (deputado federal). No caso de Bolsonaro, que possui foro privilegiado, com dez crimes imputados entre artigos do Código Penal, do Tratado de Roma e da Lei de Responsabilidade, cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar e realizar – ou não – o indiciamento.

O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que o relatório final deve ser entregue ao procurador-geral da República, Augusto Aras, nesta quarta-feira (27/10).

Se entender que os crimes de responsabilidade atribuídos a Bolsonaro merecem ser punidos, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), deverá decidir se coloca em pauta, no plenário, a abertura do processo de impeachment.

Ainda há a possibilidade de compartilhamento das investigações realizadas pela CPI ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que criou a CPI da Prevent Senior, que apura a denúncia de crimes contra a operadora de saúde. E ainda para a Procuradoria da República no Amazonas, para investigação no colapso no sistema de saúde local no começo deste ano.

Recuo

No parecer, o presidente Jair Bolsonaro é responsabilizado pela prática de nove crimes: epidemia com resultado morte; infração de medida sanitária preventiva; charlatanismo, incitação ao crime; falsificação de documento particular; emprego irregular de verbas públicas; prevaricação; crimes contra a humanidade; e crimes de responsabilidade (violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo).

Na noite da terça-feira (19/10), em uma reunião na casa do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), pontos divergentes do relatório foram discutidos pelo G7 – grupo de senadores independentes e oposicionistas. Com isso, o texto final do parecer sofreu alterações.

O grupo decidiu retirar do parecer, por exemplo, imputações ao presidente pelos crimes de genocídio contra indígenas e homicídio, que enfrentavam resistências entre o grupo majoritário na comissão. Para o senador Humberto Costa (PT-PE), que participou do encontro, o relatório de Calheiros “é consistente e sólido”, e a cúpula da comissão se preocupou em conferir mais precisão jurídica ao documento para que juízes e promotores não possam desqualificá-lo futuramente. “Não tínhamos condições técnicas para fazer esse enquadramento”, afirmou.

Crime contra a Humanidade

Apesar do recuo na tipificação de crimes, o senador Renan Calheiros disse que não haverá prejuízo ao relatório, já que o presidente da República continua enquadrado em crime contra a humanidade, em denúncia que será encaminhada pelo colegiado ao Tribunal Penal Internacional. Caso aprovadas pela CPI, as propostas de indiciamento contidas no relatório devem ser encaminhadas a instituições como o Ministério Público e a Câmara dos Deputados. “O procurador-geral da República [Augusto Aras] tem o dever de observar tudo o que foi investigado pela CPI”, cobrou o relator.

As mudanças nos tipos penais, decididas na reunião na casa de Tasso Jereissati, fizeram com que o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Augusto Xavier, e o secretário especial de Saúde Indígena, Robson da Silva, ficassem fora da lista final de pedidos de indiciamento. Um terceiro nome que foi retirado dessa lista é o do pastor Silas Malafaia, que havia sido incluído no relatório pela propagação de fake news.

Com informações da Agência Brasil

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O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

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