

o Setembro Amarelo, o cuidado com a saúde mental também precisa considerar homens e mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar e convivem com expectativas, frustrações e cobranças ao longo desse processo. | Foto: Freepik
25 de setembro de 2026 – O Setembro Amarelo reforça a importância do cuidado com a saúde mental e da valorização da vida. Dentro desse debate, uma realidade muitas vezes vivenciada de forma silenciosa é a de homens e mulheres que desejam ter filhos, mas enfrentam dificuldades para engravidar.
A infertilidade não é uma situação rara. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva enfrenta infertilidade em algum momento da vida. Em uma diretriz global publicada em novembro de 2025, a entidade também destacou os impactos emocionais associados à condição, que podem envolver sofrimento, ansiedade, depressão, estigma e isolamento social.
Para o ginecologista e especialista em reprodução humana Dr. Evangelista Torquato, a dificuldade para engravidar precisa ser analisada para além dos aspectos biológicos.
“Quando um casal chega ao consultório depois de meses ou até anos tentando engravidar, muitas vezes não estamos diante apenas de uma questão reprodutiva. Existe uma história de expectativas, frustrações, medo e cobranças. Por isso, tão importante quanto investigar as causas da infertilidade é olhar com atenção para as pessoas que estão vivendo esse processo”, explica.
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A expectativa pelo teste positivo pode transformar datas, encontros familiares e até perguntas consideradas comuns em situações difíceis. Comentários como “quando vem o bebê?” ou comparações com amigos e familiares que engravidaram podem ampliar a sensação de cobrança e frustração.
De acordo com o especialista, a infertilidade também não deve ser associada à culpa. As causas podem estar relacionadas a fatores femininos, masculinos, a uma combinação de ambos ou, em alguns casos, permanecer sem explicação mesmo após a investigação médica.
A OMS considera infertilidade a ausência de gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem o uso de contraceptivos. Dependendo da idade e do histórico clínico, entretanto, a investigação pode ser recomendada antes desse período.

Procurar atendimento médico não significa necessariamente iniciar um tratamento de alta complexidade. A avaliação permite conhecer o histórico do casal, investigar possíveis fatores relacionados à dificuldade para engravidar e definir os próximos passos de maneira individualizada.
O processo também pode envolver diferentes profissionais, especialmente quando há sinais de sofrimento emocional.
“Existe uma vida acontecendo enquanto se espera pela chegada de outra. O tratamento não pode fazer com que o casal deixe de olhar para a própria saúde, para a relação e para o bem-estar emocional. Quando percebemos um sofrimento importante, o acompanhamento de profissionais de saúde mental também deve fazer parte desse cuidado”, destaca Dr. Evangelista.
A recomendação está alinhada à diretriz da OMS, que reforça a necessidade de acesso contínuo a suporte psicossocial para pessoas afetadas pela infertilidade.
A dificuldade para engravidar pode afetar diferentes áreas da vida e provocar sentimentos que nem sempre são compartilhados com familiares ou amigos. Por isso, reconhecer o sofrimento e buscar apoio profissional são medidas que podem integrar o cuidado durante a investigação e o tratamento da infertilidade.
No Setembro Amarelo, a discussão sobre saúde mental também pode incluir essas experiências menos visíveis. Cuidar de quem enfrenta dificuldades para gerar uma vida significa considerar não apenas os aspectos médicos da infertilidade, mas também as emoções, os relacionamentos e a qualidade de vida de quem passa pelo processo.
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