

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais. Investigação divulgada pela CNN Brasil aponta que a viagem aos Estados Unidos envolveu duas vans, um ex-agente do Mossad e um jato particular, em uma operação que teria contado com planejamento e apoio internacional | Foto: Agustin Marcarian/Reuters/Arte Portal Terra da Luz
30 de outubro de 2026 – A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil para os Estados Unidos teria sido organizada por meio de uma operação internacional que envolveu duas vans, um ex-agente do Mossad, serviço de inteligência de Israel, e um avião particular de matrícula argentina. Os detalhes foram revelados nesta sexta-feira (30) pela CNN Brasil, com base em registros de câmeras e informações obtidas junto a órgãos brasileiros responsáveis pela investigação.
Segundo a apuração, Flávio atravessou a fronteira entre o Brasil e a Argentina na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do parlamentar e proibir sua saída do território brasileiro.
As informações levantadas pelos investigadores indicam que a operação teria sido planejada antes do segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, quando Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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De acordo com a CNN Brasil, órgãos brasileiros identificaram os veículos utilizados para transportar a família Bolsonaro até a Argentina.
As vans, de placas TBB 4A65 e FDF 8F91, atravessaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, também conhecida como Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.
A movimentação foi registrada por câmeras de segurança, cujas imagens passaram a integrar a apuração das autoridades brasileiras.
Segundo os investigadores, um dos motoristas é ex-vereador de Foz do Iguaçu e teria transportado Flávio Bolsonaro. O segundo condutor, filho do primeiro, ficou responsável por levar a esposa do senador e as duas filhas em outro veículo.
Os motoristas, conforme a reportagem, não precisaram apresentar passaportes para retornar ao país de origem.
Um dos elementos identificados na investigação é a possível participação de um ex-integrante do Mossad, agência de inteligência israelense.
Segundo informações obtidas pela CNN Brasil, o homem, de nacionalidade israelense e naturalizado norte-americano, chegou ao Brasil em 19 de outubro, ainda durante a reta final da campanha presidencial.
A apuração aponta que ele acompanhou Flávio Bolsonaro desde Brasília até a Argentina e estava na mesma van utilizada pelo senador durante a travessia da fronteira.
Os registros também indicariam que a viagem contou com auxílio de integrantes do governo argentino, presidido por Javier Milei.
Até o momento, a reportagem não apresenta identificação pública do ex-agente nem comprovação independente de todos os detalhes atribuídos à participação de autoridades estrangeiras.
Após atravessar a fronteira, Flávio Bolsonaro e seus familiares embarcaram em um avião executivo Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, operado pela empresa de fretamento aéreo Baires Fly.
A aeronave partiu de Puerto Iguazú, realizou uma escala para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, e seguiu para os Estados Unidos.
O pouso ocorreu por volta das 10h30 de quarta-feira (28), no Aeroporto Executivo Opa-locka, em Miami, na Flórida.
A chegada do senador e de seus familiares foi acompanhada pela imprensa internacional.
Segundo reportagem do jornal norte-americano The New York Times, reproduzida pela CNN Brasil, o avião particular teria sido providenciado por Jason Miller, estrategista político de Donald Trump e integrante da equipe da Casa Branca.
O jornal também informou que Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller durante as articulações relacionadas à viagem.
Outro ponto mencionado na investigação é a utilização do passaporte diplomático de Flávio Bolsonaro na chegada aos Estados Unidos, apesar de o documento ter sido cancelado pela Polícia Federal.
O cancelamento ocorreu depois que o senador deixou de cumprir a determinação de Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes.
A medida judicial foi adotada no âmbito de investigações em andamento no STF.
A Polícia Federal informou anteriormente que o parlamentar descumpriu a proibição de sair do país, mas esclareceu que a existência de restrições sobre documentos de viagem não caracteriza, isoladamente, a condição jurídica de foragido nem autoriza automaticamente sua prisão.
Fontes de órgãos brasileiros ouvidas pela CNN Brasil avaliam que o deslocamento do senador teria contado com apoio de pessoas ligadas aos governos da Argentina e dos Estados Unidos.
Integrantes do governo brasileiro classificaram a operação como uma possível “exfiltração”, expressão utilizada para descrever a retirada planejada de pessoas ou informações de determinado território ou ambiente.
Uma das hipóteses analisadas é que informações divergentes sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro tenham sido divulgadas para direcionar a atenção das autoridades a locais diferentes daquele utilizado na viagem.
Segundo fontes de três órgãos brasileiros, o procedimento teria sido organizado com antecedência e envolveria planejamento logístico internacional, e não uma decisão tomada apenas no momento da saída.
A operação teria recebido internamente o nome de “Operação Alba”.
As suspeitas sobre a participação de agentes estrangeiros e o eventual apoio institucional ainda dependem da conclusão das investigações.
Diante das informações reunidas, a Polícia Federal avalia solicitar ao Supremo Tribunal Federal o bloqueio de bens de Flávio Bolsonaro, incluindo contas bancárias.
A possibilidade está sendo analisada como parte dos desdobramentos da saída do senador do Brasil após o descumprimento da determinação judicial.
O Ministério da Justiça também acompanha o caso e aguarda a conclusão de um relatório da Polícia Federal sobre as circunstâncias da viagem.
Com base nesse documento, a pasta deverá avaliar se utilizará mecanismos oficiais de cooperação internacional para tratar do episódio com autoridades estrangeiras.
Até a atualização da reportagem original, não havia confirmação de que o pedido de bloqueio tivesse sido formalmente apresentado ao STF nem de que o governo brasileiro tivesse decidido acionar canais diplomáticos ou judiciais internacionais.
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