
A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal a prorrogação, por mais 90 dias, do inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A apuração envolve pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e aguarda perícias financeiras e informações solicitadas aos Estados Unidos | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasi
17 de outubro de 2026 – A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação, por mais 90 dias, do inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação apura pagamentos realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, e a possível participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas negociações para viabilizar o projeto.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e divulgado na sexta-feira (16). Segundo a Polícia Federal, a ampliação do prazo é necessária para concluir análises de documentos financeiros e aguardar informações solicitadas às autoridades dos Estados Unidos.
A investigação busca esclarecer a origem, o destino e a regularidade dos recursos utilizados no financiamento da cinebiografia. O inquérito foi instaurado em julho deste ano, após surgirem informações sobre pedidos de recursos financeiros feitos a Vorcaro para custear a produção cinematográfica.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
De acordo com o delegado Anderson Rodrigo Andrade de Lima, responsável pela investigação, a prorrogação permitirá o aprofundamento de diligências consideradas essenciais para esclarecer as movimentações financeiras.
Entre os procedimentos pendentes estão a conclusão de perícias contábeis e financeiras, a análise de documentos e a obtenção de registros bancários relacionados a entidades estabelecidas no exterior.
A Polícia Federal também aguarda o andamento de um pedido de cooperação jurídica internacional encaminhado aos Estados Unidos.
O objetivo é obter informações que permitam rastrear transferências financeiras e identificar quem recebeu, administrou ou utilizou os valores associados à produção do filme.
A necessidade de acesso a documentos estrangeiros é um dos principais fatores que justificam o pedido de ampliação do prazo.
Com esses elementos, os investigadores pretendem reconstruir o percurso do dinheiro e verificar se as operações foram realizadas dentro das exigências legais.
Um dos principais pontos examinados pela Polícia Federal envolve o fundo de investimentos Havengate Development, constituído nos Estados Unidos.
Segundo as informações reunidas na investigação, a estrutura financeira teria recebido repasses relacionados ao financiamento de Dark Horse.
Os investigadores buscam esclarecer como os valores chegaram ao fundo, quem participou das transações e qual foi a destinação final dos recursos.
A análise também deverá verificar se os pagamentos corresponderam efetivamente a despesas da produção cinematográfica ou se houve utilização de mecanismos financeiros para outras finalidades.
A existência de transferências internacionais, por si só, não caracteriza irregularidade. A investigação procura determinar se houve descumprimento de obrigações legais, ocultação de beneficiários ou práticas que possam configurar crimes financeiros.
A Polícia Federal também examina documentos apresentados pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, colaborador das investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo as informações divulgadas, o material inclui registros de transferências para o fundo Havengate Development.
Esses documentos são considerados relevantes para a reconstrução das operações financeiras e para a identificação de pessoas físicas e jurídicas que participaram da movimentação dos recursos.
Em depoimento aos investigadores, Freixo Júnior afirmou que realizou transferências financeiras internacionais, mas declarou desconhecer inicialmente que os valores poderiam estar associados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal deverá confrontar essas declarações com comprovantes bancários, contratos e outras informações obtidas durante a apuração.
A colaboração premiada constitui um instrumento de investigação, mas suas declarações precisam ser examinadas em conjunto com outros elementos de prova.
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a apuração de informações sobre um pedido de recursos feito pelo senador Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A investigação ganhou repercussão depois que o site The Intercept Brasil revelou conversas relacionadas ao financiamento da cinebiografia.
Segundo as informações publicadas, o diálogo entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro ocorreu em novembro de 2025 e tratou da obtenção de recursos para custear as gravações.
O senador, que disputa a Presidência da República nas eleições de 2026, foi incluído formalmente no inquérito em julho deste ano.
A investigação procura esclarecer a participação de Flávio nas negociações financeiras e identificar se houve alguma irregularidade na obtenção ou na destinação do dinheiro.
O fato de o parlamentar ser investigado não representa conclusão sobre sua responsabilidade criminal.
Após a divulgação das conversas com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o ex-banqueiro.
O senador também afirmou que os recursos destinados à produção cinematográfica eram privados.
A manifestação constitui a posição apresentada pelo parlamentar em resposta às informações divulgadas sobre o financiamento do filme.
A Polícia Federal, por sua vez, busca verificar a regularidade das operações, a origem dos recursos e eventuais vínculos entre os participantes das negociações.
Até o momento, a solicitação de prorrogação do inquérito não representa denúncia criminal ou condenação dos investigados.
O inquérito examina possíveis irregularidades relacionadas à movimentação de recursos destinados à produção de Dark Horse.
Entre as hipóteses investigadas estão lavagem de dinheiro, evasão de divisas e eventuais atos de corrupção, conforme o enquadramento jurídico das operações sob análise.
A Polícia Federal procura esclarecer se as estruturas financeiras utilizadas eram compatíveis com os serviços e investimentos declarados e se todas as obrigações legais foram cumpridas.
A análise de contratos, movimentações bancárias e documentos contábeis deverá ajudar a estabelecer se os valores tiveram destinação legítima ou se houve práticas ilícitas.
Também estão sendo examinadas informações obtidas junto a instituições e empresas relacionadas ao setor audiovisual.
A apuração envolve operações financeiras de natureza complexa, incluindo transações internacionais que exigem a participação de autoridades estrangeiras.
Com o requerimento apresentado pela Polícia Federal, caberá ao Supremo Tribunal Federal avaliar a ampliação do prazo de investigação.
A solicitação de mais 90 dias busca permitir que os investigadores concluam as diligências pendentes antes da apresentação de um relatório final.
A eventual autorização não significa reconhecimento de culpa, mas a continuidade dos procedimentos para reunir elementos capazes de esclarecer os fatos.
O caso também envolve a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável pelas atribuições do Ministério Público nos procedimentos criminais de competência do Supremo.
A conclusão do inquérito poderá subsidiar decisões sobre possíveis desdobramentos judiciais, de acordo com os resultados da investigação.
Até lá, permanecem assegurados aos investigados os direitos ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
Leia também | Mais de 4,3 mil seções mudam para o 2º turno
Tags: Polícia Federal, PF, Dark Horse, Filme Dark Horse, Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, Banco Master, André Mendonça, Supremo Tribunal Federal, STF, Inquérito policial, Prorrogação de inquérito, Investigação federal, Financiamento de filme, Cinebiografia de Bolsonaro, Cinema brasileiro, Recursos privados, Movimentações financeiras, Transferências internacionais, Cooperação internacional, Estados Unidos, Havengate Development, Antônio Carlos Freixo Júnior, Colaboração premiada, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, Perícia contábil, Perícia financeira, Lavagem de dinheiro, Evasão de divisas, Corrupção, Lindbergh Farias, Procuradoria-Geral da República, PGR, Investigação criminal, Justiça brasileira, Política nacional, Eleições 2026, Presidência da República, Segurança Pública, Notícias do Brasil, Agência Brasil, Portal Terra da Luz
O papa Leão XIV deixou o Hospital Gemelli, em Roma, neste sábado (17), após receber alta médica quatro dias depois de uma cirurgia para retirada de um adenocarcinoma pulmonar. O pontífice retornou ao Vaticano e deverá conduzir a oração do Angelus neste domingo (18), na Praça de São Pedro | Foto: reprodução/Reuters