

O advogado Nelson Wilians teve sua inscrição profissional suspensa preventivamente pela OAB-SP por 90 dias, em meio às investigações das operações Arena e Distrato, que apuram suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas a apostas esportivas e créditos tributários | Foto: reprodução
17 de outubro de 2026 – O advogado Nelson Wilians teve sua inscrição profissional suspensa preventivamente pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo (OAB-SP), em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público paulista. A medida, divulgada neste sábado (17), tem prazo de 90 dias e impede o exercício da advocacia durante sua vigência.
A situação cadastral do profissional aparece no sistema da OAB-SP com a indicação “Ativo-Suspenso”, conforme informações divulgadas pela CNN Brasil. A suspensão ocorre após o advogado ter sido alvo de duas operações que investigam possíveis irregularidades financeiras: a Operação Distrato, relacionada a créditos tributários de ICMS, e a Operação Arena, voltada à apuração de movimentações financeiras ligadas ao setor de apostas esportivas.
A medida disciplinar não representa condenação criminal. As suspeitas investigadas ainda dependem de apuração e eventual julgamento pelas autoridades competentes.
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Com a decisão da OAB-SP, Nelson Wilians fica temporariamente impedido de praticar atos privativos da advocacia, como assinar petições, representar clientes em audiências e exercer outras atividades profissionais que dependam de inscrição regular.
A suspensão preventiva é uma medida de natureza disciplinar e não deve ser confundida com condenação judicial pelos crimes investigados.
Segundo informações publicadas pelo Bahia Notícias, a decisão foi recebida com críticas pelo advogado, que declarou à revista Piauí:
“Recebi com indignação a decisão da OAB que determinou a suspensão do meu exercício profissional.”
O conteúdo integral da decisão disciplinar e seus fundamentos específicos não foram disponibilizados nas informações consultadas para esta reportagem.
Uma das investigações envolvendo Nelson Wilians é a Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal em 13 de agosto de 2026.
A apuração investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas e possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, envolvendo empresas e operações financeiras relacionadas ao mercado de apostas esportivas e jogos de azar.
De acordo com os investigadores, o grupo sob suspeita teria utilizado estruturas empresariais no Brasil e no exterior para dificultar o rastreamento da origem e da destinação de recursos.
A Pixbet, empresa do setor de apostas, está entre os principais alvos da operação.
As investigações também examinam possíveis operações envolvendo empresas constituídas no exterior, incluindo estruturas com vínculos com Curaçao, no Caribe.
A suspeita é de que essas operações tenham sido utilizadas para ocultar beneficiários finais e movimentações financeiras.
No entanto, a existência de estruturas societárias internacionais, isoladamente, não comprova a prática de crimes. A apuração busca identificar se houve utilização irregular dessas empresas para ocultar valores ou descumprir obrigações legais.
A relação profissional entre Nelson Wilians e a Pixbet também entrou no foco das investigações.
Segundo informações divulgadas pelo SBT News em agosto, a Polícia Federal analisa um contrato de prestação de serviços jurídicos firmado entre o advogado e a empresa de apostas, cujo valor seria de aproximadamente US$ 20 milhões, equivalentes a cerca de R$ 102 milhões na cotação considerada pela reportagem.
O acordo teria sido firmado em 2022 e envolveria serviços relacionados à regularização da empresa no mercado de apostas, elaboração de documentos e atuação em processos judiciais.
Os investigadores apuram se as movimentações financeiras relacionadas ao contrato correspondem efetivamente aos serviços prestados ou se poderiam integrar um mecanismo de ocultação patrimonial e movimentação irregular de recursos.
A defesa de Wilians nega as acusações.
Em manifestação divulgada anteriormente ao SBT News, os representantes do advogado afirmaram que os valores correspondem à prestação de serviços jurídicos e defenderam que “há que se tomar cuidado para não criminalizar a advocacia”.
A defesa também rejeitou tentativas de associar automaticamente a atuação profissional do advogado a eventuais irregularidades atribuídas a seus clientes.
Nelson Wilians também foi citado nas investigações da Operação Distrato, deflagrada em 15 de julho pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira-SP).
A operação, realizada com participação do Ministério Público de São Paulo e da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado (Sefaz-SP), investiga um suposto esquema de comercialização fraudulenta de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Segundo as autoridades, os créditos tributários seriam oferecidos a empresas com a promessa de reduzir valores de impostos devidos ao governo estadual.
A investigação aponta que parte desses créditos não teria respaldo legal, sendo sustentada por documentos falsificados, contratos fictícios e operações empresariais simuladas.
O grupo econômico vinculado a Nelson Wilians foi identificado pelas autoridades como um dos núcleos investigados.
Na ocasião, foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão em municípios de São Paulo e do Paraná, incluindo endereços ligados a escritórios de advocacia e pessoas investigadas.
A Operação Distrato ganhou repercussão nacional pela dimensão financeira das suspeitas.
De acordo com o levantamento apresentado pelas autoridades, o esquema investigado teria provocado prejuízos ou irregularidades tributárias superiores a R$ 3,8 bilhões.
A apuração envolve centenas de empresas que teriam utilizado créditos de ICMS considerados indevidos pela fiscalização.
Segundo o Ministério Público paulista, os responsáveis pelo suposto esquema ofereciam serviços apresentados como planejamento tributário, mas que poderiam incluir a comercialização de créditos fiscais inexistentes.
Para conferir aparência de legalidade às operações, teriam sido utilizados documentos falsos, contratos simulados e empresas sem atividade econômica compatível com as transações.
As investigações também apontam que escritórios e consultorias envolvidos nas operações poderiam cobrar honorários de êxito de até 70% sobre os valores dos créditos utilizados pelas empresas contratantes.
Os R$ 3,8 bilhões representam a dimensão das irregularidades tributárias investigadas, não uma quantia cuja apropriação pessoal por Nelson Wilians tenha sido judicialmente comprovada.
Em agosto, após a repercussão da Operação Arena, Nelson Wilians anunciou seu afastamento por tempo indeterminado do comando do escritório de advocacia que leva seu nome.
Na ocasião, o advogado afirmou que a decisão tinha como objetivo preservar sua família e permitir que a estrutura empresarial mantivesse o funcionamento durante as investigações.
A administração da banca passou a ser conduzida por um comitê executivo.
Apesar do afastamento da gestão, Wilians continuou vinculado à sociedade profissional, segundo as informações cadastrais mencionadas pela CNN Brasil.
A suspensão de sua inscrição na OAB constitui uma medida distinta do afastamento administrativo adotado anteriormente.
Enquanto a primeira interfere diretamente na possibilidade de exercer a advocacia, a segunda diz respeito à condução gerencial do escritório.
A situação de Nelson Wilians envolve procedimentos de naturezas distintas: investigações criminais e tributárias conduzidas pelas autoridades e uma medida disciplinar no âmbito da OAB-SP.
A suspensão preventiva do registro profissional não comprova, por si só, a participação do advogado nas irregularidades investigadas.
Da mesma forma, o cumprimento de mandados de busca e apreensão e a existência de movimentações financeiras sob análise não equivalem a condenações.
A responsabilização criminal depende da identificação de condutas, da produção de provas e do respeito ao devido processo legal, incluindo os direitos ao contraditório e à ampla defesa.
A defesa do advogado já havia negado irregularidades relacionadas ao contrato com a Pixbet e defendido a legitimidade dos serviços jurídicos prestados.
Na reportagem publicada neste sábado, a CNN Brasil informou que buscava novo posicionamento dos representantes de Nelson Wilians sobre a situação de sua inscrição profissional.
O espaço permanece aberto para atualização das informações e manifestação da defesa.
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