

A data busca conscientizar a população sobre os efeitos do consumo excessivo. | Foto: divulgação
15 de outubro de 2026 – Uma latinha de alumínio, uma garrafa PET ou um pedaço de papelão podem parecer resíduos sem valor, mas representam fonte de renda para catadores de materiais recicláveis no Cariri cearense. Neste 15 de outubro, Dia do Consumo Consciente, a data chama a atenção para os impactos dos hábitos de compra e descarte e para o papel de quem ajuda a devolver esses materiais à cadeia produtiva.
Instituída em 2009 pelo Ministério do Meio Ambiente, a data busca conscientizar a população sobre os efeitos do consumo excessivo. No Brasil, cada pessoa gera, em média, 384 quilos de resíduos por ano, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil de 2025, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA). O Nordeste responde por 24,7% do volume nacional, com aproximadamente 20,2 milhões de toneladas anuais.
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O valor dos resíduos varia conforme o tipo de material e as condições de comercialização. Em eventos como a Expovaq, em Farias Brito, a catadora Rosimeire Galdino chega a caminhar cerca de meia hora em meio ao público para reunir um quilo de latinhas de alumínio, material que pode ser vendido por aproximadamente R$ 8.
Outros recicláveis têm valores menores. O quilo do plástico filme é comercializado por cerca de R$ 1,50, enquanto o da garrafa PET custa aproximadamente R$ 1. Já o papelão rende em torno de R$ 0,30 por quilo.
Rosimeire destaca que a colaboração da população pode facilitar o trabalho dos profissionais da reciclagem. “Separar do jeito certo facilita pra gente pegar, né? Não jogar fora em qualquer lugar”, pede.
No Crato, a Associação dos Agentes Recicladores do Crato (AARC) reúne 14 integrantes que trabalham coletivamente na atividade. A experiência da associação mostra como a infraestrutura influencia diretamente o valor obtido com a venda dos materiais.
O papelão comercializado solto rende cerca de R$ 0,30 por quilo, enquanto o material compactado pode alcançar R$ 0,50. No caso das garrafas PET, o preço informado passa de R$ 1,80 para R$ 3,80 por quilo após a compactação.
Segundo a diretora da AARC, Ivone Araújo, a associação está sem a máquina utilizada nesse processo. A falta do equipamento impede que os trabalhadores agreguem valor aos materiais recolhidos, limitando o potencial de renda das famílias envolvidas na reciclagem.
Para contribuir com a estruturação da atividade na região, a Regenera Cariri prevê a implantação de Centrais Municipais de Reciclagem (CMRs), em parceria com as prefeituras. A proposta é oferecer espaços com infraestrutura adequada para apoiar o trabalho das associações e cooperativas e ampliar a renda dos catadores.
O projeto também desenvolve ações de apoio aos profissionais e de educação ambiental junto à comunidade.
“O trabalho dos catadores e das associações é o verdadeiro motor da economia circular. Eles prestam um serviço ambiental indispensável e precisam desse apoio”, afirma Ingrid Botelho, gerente da Regenera Cariri.
A separação correta dos resíduos começa dentro de casa e pode melhorar as condições de trabalho de quem atua na reciclagem. Entre as principais recomendações estão planejar as compras para evitar desperdícios, especialmente de alimentos, e priorizar produtos com refil ou embalagens retornáveis e recicláveis.
Outra medida importante é separar os resíduos secos — como papel, plástico, vidro e metal — dos resíduos úmidos e orgânicos, a exemplo dos restos de comida. A prática reduz a contaminação dos materiais recicláveis, facilita a coleta e pode aumentar seu valor comercial.
A Regenera Cariri será responsável pelo tratamento e pela destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos urbanos em nove municípios da região. A coleta continuará sob responsabilidade das prefeituras.
A iniciativa busca contribuir para a preservação ambiental, incluindo a proteção das fontes de águas subterrâneas, além de ampliar as oportunidades de geração de renda e favorecer melhores condições de saúde e segurança para os catadores.
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