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Segurança: Expocrato usa tecnologia de empresa investigada Sistema de videomonitoramento utilizado no evento é ligado à Pax, antiga Paladium Corp, alvo de questionamentos em contratos públicos em outros estados

Segurança: Expocrato usa tecnologia de empresa investigada

Sistema de videomonitoramento utilizado na Expocrato 2026 reacende debate sobre tecnologia, transparência e proteção de dados na segurança pública | Foto: divulgação

16 de julho de 2026 – A segurança da Expocrato 2026, realizada entre os dias 11 e 19 de julho, no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, no Crato, conta com sistema de videomonitoramento baseado em tecnologia da empresa Paladium Corp, atualmente denominada Pax.

A utilização da plataforma ganha relevância porque a companhia acumula investigações, suspensões e questionamentos em contratos públicos nos estados de São Paulo, Paraná e Goiás. Ao mesmo tempo, a empresa busca apresentar sua tecnologia ao Governo do Ceará por meio de uma Prova de Conceito (POC), demonstração técnica destinada à avaliação do sistema.

A eventual Prova de Conceito, por si só, não representa contratação, implantação definitiva ou operação da empresa na segurança pública estadual. Trata-se de uma etapa de avaliação técnica, utilizada para que gestores conheçam o desempenho de determinada solução antes de qualquer decisão administrativa.

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Expocrato utiliza sistema da Pax

Durante a Expocrato 2026, uma das maiores feiras agropecuárias e culturais do Nordeste, o sistema de videomonitoramento empregado na segurança do evento utiliza tecnologia desenvolvida pela antiga Paladium Corp, hoje Pax.

Embora a participação no evento seja distinta de eventual contratação para uso permanente na segurança pública estadual, a presença da tecnologia coloca a empresa novamente em evidência.

Isso ocorre no mesmo momento em que a companhia busca apresentar sua solução ao Governo do Ceará em fase de testes, em procedimento semelhante ao modelo de Prova de Conceito.

Serviço é demonstração gratuita

Segundo informações obtidas pela reportagem, a tecnologia disponibilizada pela Pax para a Expocrato 2026 está sendo fornecida sem custos para a organização do evento.

A operação caracteriza uma demonstração da plataforma, permitindo que o desempenho do sistema seja observado em um ambiente real, com grande circulação de público.

Esse tipo de apresentação é semelhante ao formato de POC, usado por empresas de tecnologia para demonstrar suas soluções a potenciais clientes, públicos ou privados, antes de eventual negociação comercial.

POC não significa contratação

A Prova de Conceito é uma demonstração operacional destinada a permitir que a administração pública avalie o desempenho de uma solução tecnológica antes de decidir se há interesse em futura contratação.

Na prática, a POC pode envolver testes, análise de funcionalidades, verificação de integração com sistemas existentes, avaliação de resultados e aferição de eficiência técnica.

Sua realização, no entanto, não equivale a contrato assinado, implantação definitiva ou escolha formal de fornecedor.

Caso a demonstração avance para etapas posteriores, qualquer contratação pública deverá observar as regras legais, os princípios da administração pública, a publicidade dos atos e os mecanismos de controle previstos na legislação.

Contrato é investigado em São Paulo

Em São Paulo, a antiga Paladium Corp é alvo de investigação conduzida pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) sobre contrato de R$ 475,8 milhões relacionado ao programa Muralha Paulista.

O procedimento apura possíveis irregularidades na contratação da tecnologia sem licitação.

Segundo representações apresentadas ao tribunal pelo advogado Dorival Assis Júnior e pelo deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT), a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) teria sido utilizada como intermediária na contratação da empresa privada.

A apuração busca esclarecer se o modelo adotado observou as exigências legais aplicáveis às contratações públicas.

Mudança de marca mantém estrutura

A empresa investigada em São Paulo é a mesma que atualmente atua sob a marca Pax.

Registrada como Paladium Corp Desenvolvimento de Tecnologia Ltda., a companhia promoveu mudança de identidade comercial, mantendo o mesmo CNPJ, a estrutura societária e seus administradores.

A empresa pertence ao empresário cearense David Peixoto e tem como diretor Sandro Caron, ex-superintendente da Polícia Federal e ex-secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará.

A presença de um ex-chefe da segurança pública estadual na direção de uma empresa interessada em apresentar tecnologia ao Governo do Ceará adiciona sensibilidade institucional ao processo.

Debate envolve governança pública

A atuação de ex-agentes públicos em empresas interessadas em contratar ou apresentar soluções ao Poder Público costuma exigir atenção redobrada de gestores, órgãos de controle e sociedade.

Especialistas em governança pública defendem que situações desse tipo sejam conduzidas com ampla publicidade, fundamentação técnica, rastreabilidade de decisões e transparência administrativa.

Essas medidas ajudam a afastar dúvidas sobre eventual conflito de interesses e fortalecem a confiança pública no processo.

No caso da Pax, o debate envolve não apenas a eficiência da tecnologia, mas também governança, proteção de dados, integridade institucional e observância das regras de contratação pública.

Paraná e Goiás também questionaram empresa

Os questionamentos sobre a empresa também alcançaram outros estados.

No Paraná, a companhia participou da operação tecnológica do programa Olho Vivo, posteriormente alvo de questionamentos envolvendo transparência contratual, acesso a bases de dados sensíveis e cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou a suspensão de novas contratações relacionadas ao programa enquanto analisa representações apresentadas.

Em Goiás, a Justiça suspendeu contrato de R$ 304,8 milhões firmado sem licitação entre o governo estadual e a Pax AI para implantação de sistema de videomonitoramento com inteligência artificial.

A decisão atendeu pedido do Ministério Público de Goiás, que apontou indícios de direcionamento na contratação e determinou a suspensão dos efeitos do contrato até nova deliberação judicial.

Ceará deve acompanhar com atenção

Diante do histórico da empresa em outros estados, a intenção de apresentar a tecnologia ao Governo do Ceará por meio de uma Prova de Conceito tende a ser acompanhada com atenção por especialistas, parlamentares, órgãos de controle e entidades ligadas à transparência pública.

O tema envolve aspectos relevantes para a segurança pública, como eficiência do videomonitoramento, uso de inteligência artificial, tratamento de dados sensíveis, proteção da privacidade e integração com políticas estaduais.

Ao mesmo tempo, também exige cuidado com critérios técnicos, governança, legalidade, controle externo e transparência nos procedimentos.

Caso a demonstração técnica avance para etapas posteriores, eventuais processos de contratação deverão obedecer aos requisitos legais, com ampla publicidade, justificativas técnicas consistentes e fiscalização dos órgãos competentes.

Segurança e dados estão no centro do debate

O uso de tecnologias de videomonitoramento com inteligência artificial tem se expandido em eventos, cidades e programas de segurança pública.

Essas ferramentas podem contribuir para prevenção, monitoramento de áreas de grande circulação e apoio à tomada de decisões operacionais.

No entanto, especialistas alertam que sua adoção precisa ser acompanhada de regras claras sobre coleta, armazenamento, compartilhamento e proteção de dados.

No Ceará, a eventual apresentação da tecnologia da Pax ao poder público deverá ser avaliada não apenas pelo desempenho operacional, mas também pelo histórico da empresa, pelas garantias de conformidade legal e pelos mecanismos de controle institucional.

Nota Oficial

A assessoria de comunicação da Pax entrou em contaro com o Portal Terra da Luz e enviou a seguinte nota oficial:

A Pax é uma empresa brasileira de inteligência artificial dedicada a apoiar forças de segurança pública a resolver mais crimes, com mais eficiência. A empresa está presente em mais de 50 cidades em três estados e a tecnologia oferecida já ajudou a Polícia a resolver mais de 2.500 casos no país neste ano.

É preciso fazer alguns esclarecimentos a respeito de pontos colocados na reportagem que podem causar julgamentos equivocados sobre a atuação da empresa. Inicialmente, não há nenhuma decisão suspendendo as operações da Pax em qualquer lugar onde a empresa tem atuado. Ao contrário, as poucas denúncias apresentadas – todas motivadas pelo contexto eleitoral e de autoria de representantes de partidos políticos – vêm sendo pouco a pouco esclarecidas e extintas. Especificamente:

Em São Paulo, o Ministério Público já arquivou o pedido de investigação sobre o contrato com a Prodesp, afirmando que a investigação não poderia seguir por não estar “amparada em elementos concretos e minimamente consistentes, não sendo admissível a continuidade de apuração fundada exclusivamente em conjecturas ou em divergências interpretativas desacompanhadas de indícios objetivos de ilicitude, hipótese observada nos presentes autos”.

Em Goiás, houve uma liminar concedida sem análise de mérito sobre a expansão do programa IA Contra o Crime, imediatamente cassada pelo Tribunal de Justiça do estado. A expansão da iniciativa segue em curso.

No Paraná, a suspensão determinada pelo TCE-PR refere-se a um pregão específico dentro do Programa Olho Vivo, uma etapa da qual a Pax não teve qualquer relação ou participação. O uso da tecnologia da empresa no âmbito do programa segue ativa, apoiando o trabalho da polícia.

Quanto à Expocrato, a participação da empresa no evento está respaldada por acordo de cooperação e ocorre dentro de parâmetros já utilizados pela Administração Pública, servindo como um teste de campo para avaliar o uso desta tecnologia em apoio à segurança pública no Ceará.

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Tags: Expocrato 2026, Expocrato, Crato, Cariri, Ceará, Pax, Paladium Corp, Paladium Corp Desenvolvimento de Tecnologia, videomonitoramento, inteligência artificial, segurança pública, tecnologia de segurança, Prova de Conceito, POC, Governo do Ceará, Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, Muralha Paulista, TCE-SP, Prodesp, Dorival Assis Júnior, Luiz Fernando Teixeira, David Peixoto, Sandro Caron, Polícia Federal, Secretaria da Segurança Pública do Ceará, Paraná, Goiás, TCE-PR, Ministério Público de Goiás, Olho Vivo, LGPD, proteção de dados, transparência pública, governança pública, contratação pública, conflito de interesses, Portal Terra Da Luz

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1 Comment

  1. Expocrato utiliza sistema da Pax – News Conect Inteligencia Digital disse:
    17/07/2026 às 09:42

    […] 🔗 Ler matéria original […]

    Responder

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O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

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