

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa | Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein
20 de fevereiro de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou duramente ministros da Suprema Corte dos Estados Unidos após o tribunal derrubar o tarifaço imposto por seu governo em 2025. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (20), Trump classificou a decisão como “vergonhosa” e afirmou que dispõe de “métodos ainda mais fortes” para voltar a impor tarifas comerciais sem o aval do Congresso.
Por seis votos a três, a maioria dos ministros concluiu que a lei usada pelo governo não concede ao presidente poderes para criar tarifas de forma unilateral. O entendimento foi de que Trump extrapolou sua autoridade constitucional ao impor aumentos generalizados sobre importações de quase todos os parceiros comerciais do país.
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Durante a declaração, Trump acusou os ministros que votaram contra as tarifas de agirem sob pressão de interesses estrangeiros. Segundo ele, outras alternativas estão sendo estudadas para garantir maior arrecadação com impostos de importação. “Outras saídas serão usadas. Podemos arrecadar ainda mais dinheiro”, afirmou o presidente.
A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que formavam o núcleo da estratégia comercial do governo. Permanecem em vigor, no entanto, tarifas específicas já aplicadas sobre produtos como aço, alumínio e fentanil, que têm base legal distinta.
O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator do voto vencedor. Em sua manifestação, destacou que o presidente precisa demonstrar uma “autorização clara do Congresso” para justificar medidas de amplo impacto econômico. Os ministros Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh ficaram vencidos.
Mais cedo, em reunião com governadores estaduais, Trump já havia sinalizado a existência de um “plano B” para manter as taxas, segundo informações da Reuters.
Na prática, a decisão derruba tarifas de 10% ou mais que vinham sendo aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos Estados Unidos. Especialistas avaliam que, além da suspensão das taxas, o governo americano pode ser obrigado a devolver parte dos valores arrecadados.
Estimativas do Penn-Wharton Budget Model indicam que os reembolsos podem ultrapassar US$ 175 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 912,5 bilhões. Ainda assim, a decisão não encerra definitivamente a possibilidade de novas tarifas, caso o governo encontre respaldo legal em outros instrumentos.
Em abril de 2025, Trump anunciou tarifas recíprocas que incluíram uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Meses depois, em julho, o percentual subiu para 50%, embora com uma ampla lista de exceções que deixou de fora itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos, fertilizantes e produtos energéticos.
Em novembro, após negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os Estados Unidos retiraram a tarifa adicional de 40% sobre novos produtos brasileiros, incluindo café, carnes e frutas. As tarifas específicas sobre aço e alumínio, baseadas na Seção 232 da legislação americana, seguem válidas e não foram afetadas pela decisão judicial.
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